O comandante que destruiu o próprio navio e ganhou uma nova vida

O comandante que destruiu o próprio navio e ganhou uma nova vida

Afundar deliberadamente um barco em mau estado para receber o dinheiro do seguro é um golpe tão antigo quanto às próprias seguradoras, apesar das investigações estarem cada vez mais severas.

Mas, no final do século 19, não era assim.

Por isso, na primavera de 1897, quando o comandante italiano Cosmo Marasciulo partiu de Gênova, com destino a América do Sul, no comando do vapor Sarita, um velho navio há muito clamando por uma reforma, a ordem que ele recebeu da dona da empresa, que também se chamava Sarita, foi bem clara: ele deveria dar fim ao navio, para que o dinheiro do seguro salvasse a empresa da falência.

Foi o que o obediente comandante fez.

Ao passar pelo inóspito litoral do Rio Grande do Sul, famoso pelos fortes ventos que sempre tentam atirar os barcos de encontro a costa, o comandante Marasciulo resolveu usar a má fama da região a seu favor e colocou o Sarita a todo vapor na direção da então deserta Praia do Cassino, nas imediações da cidade de Rio Grande.

O encalhe, proposital, deixou o Sarita entalado na areia, bem perto da praia, e todos os ocupantes desembarcaram sem maiores problemas.

Mas tiveram que caminhar por dois dias na praia, até a cidade, onde registraram a ocorrência.

Na época, um precário inquérito, feito com base apenas no depoimento do próprio comandante, atestou que o navio encalhara por conta dos fortes ventos e, com base nele, meses depois, a armadora do Sarita recebeu a indenização pela perda do barco.

Para os habitantes da então pequena Rio Grande, a história do naufrágio do vapor Sarita teria terminado aí, não fosse um detalhe: a paixão que o comandante Marasciulo desenvolveu pela cidade, a ponto de decidir se mudar para lá.

Após idas e vindas entre a Itália e o Brasil, ele se radicou de vez em Rio Grande, arrumou emprego como comandante de barcos brasileiros que faziam viagens frequentes à Buenos Aires e lá casou com uma argentina, que também se mudou para a cidade gaúcha, dando início a uma grande família, hoje bastante conhecida na região: os Marasciulo.

O patriarca Cosmo Marasciulo morreu anos depois de contar a verdadeira história de sua chegada ao Brasil aos seus herdeiros, mas não a tempo de ver inaugurado um farol no exato local do encalhe do seu barco, que, não por acaso, foi batizado de farol Sarita.

Para muitos, foi uma inadequada homenagem a um velho golpe que ali deu certo.

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FOTO: acervo Popa.com

 

A estranha ilha que surgiu e sumiu

A estranha ilha que surgiu e sumiu

A região do arquipélago dos Açores é famosa pelas erupções vulcânicas submarinas, que, não raro, fazem surgir pequenas “ilhas de lava” onde antes só havia água.

Só que, quase sempre, estas mesmas ilhas desaparecem em seguida, dissolvidas pelo mar, desafiando assim permanentemente a cartografia.

Em uma destas “ilhas temporárias” ocorreu um fato curioso, em junho de 1811.

O comandante de fragata inglesa HMS Sabrina, James Tillard, navegava em busca de embarcações francesas pela região da Ilha de São Miguel, uma das que formam o arquipélago português, quando avistou colunas de fumaça no horizonte.

Julgando tratar-se de uma batalha, seguiu para lá.

Mas o que ele encontrou foi a erupção de pequeno vulcão submerso no mar, que começava a dar forma a uma nova ilha.

Sem poder se aproximar demais, Tillard tomou o rumo da principal vila de São Miguel, onde se encontrou com o consul inglês e expressou sua intenção de “tomar posse” da nova ilha em nome da Inglaterra, já que sua localização era estratégica no conflito contra os franceses.

Mas Tillard precisou esperar quase um mês até que pudesse retornar a nova ilha, que batizou de Sabrina, mesmo nome do seu barco.

Quando lá chegou, em 4 de julho, na companhia do consul inglês, para fincar a bandeira da Inglaterra e decretar aquele “novo território” como sendo parte da Coroa Britânica, a ilha que nasceu onde antes só havia mar (e com profundidades que beiravam os 100 metros) já tinha cerca de um quilômetro de diâmetro e paredões de 90 metros de altura de puro basalto.

A ousadia de Tillard, que tomara posse de uma ilha dentro de uma região que pertencia a Portugal, estremeceu as relações com os portugueses.

Mas, como naquela época a corte portuguesa havia se transferido para o Brasil e era totalmente dependente dos ingleses para se defender contra os franceses, o incidente diplomático não deu em nada.

Até porque, dois meses depois, a Ilha Sabrina já não existia mais.

Quase tão instantaneamente quanto surgiu, a nova ilha foi dissolvida pelo mar, que erodiu suas rochas basálticas como se fossem castelinhos de areia na praia.

Em outubro daquele mesmo ano, já não havia nenhum vestígio da efêmera ilha na superfície do mar.

Só o que restou daquela ilha que virou uma quase lenda entre os navegantes, mas que existiu de fato, foi um desenho das erupções que a fizeram surgir, feito por um dos oficiais da tripulação do HMS Sabrina, hoje exposto no Museu Marítimo de Greenwich, nos arredores de Londres.

Mesmo assim, até hoje, quase todos os visitantes dos Açores vão até o mirante da Ponta da Ferraria, na principal ilha do arquipélago, para ver o local onde ficava a Ilha Sabrina, aquela que só existiu por pouco mais de dois meses, e que, tão rapidamente quanto nasceu, desapareceu.

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O navio-bomba que aterroriza a Inglaterra até hoje

O navio-bomba que aterroriza a Inglaterra até hoje

Em 20 de agosto de 1944, o navio cargueiro americano SS Richard Montgomery, um Liberty Ship, como foram chamados os navios feitos às pressas pelos Estados Unidos para o transporte de suprimentos durante a Segunda Guerra Mundial, ancorou na entrada do Rio Tâmisa, na Inglaterra, com uma carga, literalmente, bombástica: milhares de bombas, que seriam usadas pelos Aliados nos combates que então aconteciam na França.

Ele havia partido da Filadélfia com mais de 6 000 toneladas de munições e explosivos, e sua missão era aguardar no estuário do principal rio da Inglaterra a chegada do comboio ao qual se juntaria, rumo a costa francesa.

Ao chegar lá, o comandante do SS Richard Montgomery recebeu ordens de se aproximar da margem, ancorar e aguardar os demais navios, que estavam por chegar. Feito isso, ele foi para sua cabine, descansar.

Horas depois, outros navios começaram a chegar e alguns deles notaram que a âncora do SS Richard Montgomery havia garrado e ele estava derivando em direção a um famoso banco de areia que havia na região.

E avisaram isso pelo rádio ao oficial de plantão – que, no entanto, inexplicavelmente não acionou o comandante, que seguiu dormindo.

O resultado foi o encalhe do cargueiro no tal banco de areia, a cerca de 250 metros do canal principal e bem diante da então pequena cidade inglesa de Sheerness.

Não seria um grande problema, não fosse o fato de o navio estar abarrotado de carga, portanto pesado, e de a maré, justamente naquele instante, ter começado a baixar.

Nas horas subsequentes, o navio foi atolando e travando cada vez mais na areia, até que, mesmo com a subida da maré, não conseguiu mais se desvencilhar da armadilha na qual havia se metido.

Em seguida, seu casco, que não era propriamente resistente, como em todos os Liberty Ships, começou a trincar.

E seguiu rachando.

Era o fim do SS Richard Montgomery.

Dois dias depois, começaram os trabalhos de resgate e transbordo da sua delicada carga.

Mas logo o serviço teve que ser interrompido, porque as rachaduras no casco haviam causado a inundação da proa e o navio passou a gemer assustadoramente – sinal claro que não aguentaria por muito tempo o esforço de combater o sobe e desce das marés.

Caso rompesse de vez, as consequências seriam imprevisíveis, dada a letalidade da sua carga.

Temendo uma explosão, as equipes de resgate abandonaram o local.

E nunca mais se cogitou retirar as bombas que restaram no SS Richard Montgomery.

Até hoje.

Uma das razões para os explosivos jamais terem sido removidos do navio foi o temor da repetição de um episódio que traumatizou os moradores de outra pequena cidade inglesa, a de Folkestone, às margens do Canal da Mancha, em julho de 1967.

Naquela ocasião, uma ação de remoção de bombas do cargueiro polonês SS Kielce, afundado em 1946, resultou numa explosão equivalente a força de um terremoto com 4,5 de força na Escala Richter, além de abrir uma cratera de seis metros de profundidade no leito marinho e destruir parcialmente muitas casas na cidade.

Se algo semelhante acontecesse com o navio, as consequências para os habitantes de Sherness seriam bem piores, tanto pelo maior tamanho da cidade quanto pela menor proximidade dela com o naufrágio.

O SS Richard Montgomery afundou em um local tão raso e perto da margem – ou seja, da cidade – que não ficou totalmente submerso.

Além disso, o velho cargueiro jaz na entrada do Rio Tâmisa, a mais movimentada rota marítima do Reino Unido, por onde passam cerca de 5 000 navios por ano.

Tempos atrás, dois deles só não atropelaram os escombros do SS Richard Montgomery – com consequências possivelmente trágicas, caso isso acontecesse – porque conseguiram desviar a tempo.

Qualquer ação mais efetiva nos destroços poderia gerar o colapso do que resta do casco e o movimento acionar involuntariamente uma das bombas, já que parte delas foi transportada com seus disparadores instalados.

Se uma única bomba for acionada, as demais também explodiriam.

Tanto que, em 2012, durante as Olimpíadas de Londres, uma equipe de agentes especiais da polícia inglesa ficou de plantão no entorno do naufrágio do SS Richard Montgomery, porque havia o temor que ele pudesse ser usado como matéria-prima para um ataque terrorista.

Mais recentemente, o plano de construção de um aeroporto nas imediações de Sherness não avançou especialmente por conta do naufrágio do SS Richard Montgomery, já que seria necessário removê-lo, o que ninguém quer fazer.

Para os moradores da região, é melhor conviver com um navio-bomba adormecido do que correr o risco de despertá-lo.

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A curiosa história do uísque que veio do mar

A curiosa história do uísque que veio do mar

Nas primeiras horas da manhã de 5 de fevereiro de 1941, uma forte ventania, aliada a uma densa neblina, fizeram o cargueiro inglês SS Politician sair da rota que seguia, entre Liverpool, na Inglaterra, e Nova Orleans, nos Estados Unidos, e atropelar as pedras da ilha Eriskay, na costa noroeste da Escócia.

E ali ele ficou entalado.

Apesar da gravidade do acidente, não houve vítimas entre os tripulantes e todos foram resgatados pelos poucos (não mais que 400) moradores da ilha, que os levaram para suas casas.

Lá, durante a habitual receptividade que dedicavam aos náufragos, os habitantes de Eriskay tomaram conhecimento da carga que o navio transportava: banheiras, pianos, móveis, roupas de cama, componentes para motores, o equivalente a três milhões de libras esterlinas em cédulas de dinheiro da Jamaica, que haviam sido impressas na Inglaterra, e sua carga mais preciosa, pelo menos para os moradores da ilha, que não estavam nem aí para a pequena fortuna em moeda jamaicana: 22 000 caixas de uísque escocês, totalizando 264 000 garrafas do mais puro scotch – este sim um autêntico tesouro para qualquer escocês, sobretudo na carência geral de suprimentos causada pela Segunda Guerra Mundial.

O fato gerou um frenesi generalizado na ilha.

Naquela mesma noite, enquanto os náufragos dormiam, teve início uma das mais peculiares ações comunitárias que se tem notícia na história do Reino Unido: o resgate, silencioso e sincronizado, das caixas de uísque que jaziam nos porões do SS Politician por todos os moradores da ilha – inclusive pacatas donas de casas, que não pensaram duas vezes na hora de aderir ao etílico butim coletivo.

Usando até velas para iluminar as pedras da costeira, e recolhendo o máximo possível de caixas a cada incursão aos restos do navio, os habitantes de Eriskay passaram a madrugada surrupiando garrafas e as escondendo na ilha, antes que o dia amanhecesse e os tripulantes despertassem.

Quem não conseguia chegar ao navio, espreitava os vizinhos na escuridão da noite, para ver onde eles escondiam as garrafas – e depois ia lá capturá-las, num típico caso de saque aos saqueadores.

Mas os moradores da ilha não pensavam dessa maneira.

Tampouco consideravam o ataque aos porões do navio como sendo um saque.

Para eles, de acordo com a tradição da região, tudo o que vinha do mar era uma dádiva – um presente que, do contrário, estaria fadado a desaparecer para sempre no fundo do mar.

Ao se apoderarem das garrafas de uísque, julgavam estar apenas fazendo o “salvamento” de parte da carga do navio, ainda que em favor apenas deles próprios.

Mas o chefe da agência alfandegária da região não pensava assim, e, na manhã seguinte, ao saber do saque comunitário perpetrado pelos moradores da ilha, acionou a polícia.

Mas não por roubo de carga, como seria de se imaginar, e sim por sonegação fiscal, já que aquele uísque estava sendo exportado e, portanto, isento de pagamento de imposto apenas se fosse consumido fora do Reino Unido – e não numa ilhota da própria Escócia.

Embora estapafúrdio, o argumento convenceu a polícia, que seguiu para ilha, embora alguns policiais estivessem tão interessados em uma daquelas garrafas quanto os próprios saqueadores.

E os saques continuaram.

Nas noites sequintes, enquanto toda a população da ilha brincava de gato e rato com a polícia, garrafas e mais garrafas de uísque eram subtraídas do navio e escondidas nos mais diferentes pontos da ilha – dentro de grutas, chaminés, colchões ou enterradas em qualquer canto, antes que o dia amanhecesse e a polícia chegasse.

O problema era que, durante as operações, os próprios saqueadores começavam a beber e, uma vez bêbados, não mais recordavam onde haviam escondido as garrafas, o que fez com que muitas se perdessem para sempre.

A farra durou semanas, durante as quais alguns moradores de Eriskay conviveram com porres homéricos, rendeu algumas prisões, para indignação geral dos habitantes da ilha, que não viam motivos para isso, e não terminou nem quando o chefe alfandegário, farto de ser ludibriado pelas artimanhas dos ilhéus, mandou explodir uma parte do casco do navio, para que ele afundasse de vez – o que, de fato, aconteceu.

Mas, ainda assim, durante um bom tempo, garrafas cheias de uísque foram dar nas praias de Eriskay, e outras foram resgatadas por mergulhadores, o que persiste até hoje.

Vira e mexe, uma nova garrafa emerge dos restos do SS Politician e atinge valores espantosos em leilões na Inglaterra, apesar dos alertas de que, talvez, a bebida não possa ser consumida, porque uísques envelhecem em barris, não em garrafas, muito menos após oito décadas debaixo d´água.

São os “Whisky Galore” (algo como “Uísque em Abundância”), mesmo nome de um livro escrito por um morador da ilha, que, depois, também virou musical e filme, que narra a bem-humorada história de como os espertos moradores de Eriskay driblaram até a polícia por uma boa dose de uísque.

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Os náufragos que viraram comida

Os náufragos que viraram comida

Um dos mais dramáticos episódios envolvendo naufrágios no Estreito de Torres, onde o oceano Índico encontra o Pacífico, aconteceu em 1858 e envolveu um grupo de 327 chineses que estava sendo levado pelo veleiro francês St. Paul, comandado por Emmanuel Pinard, para trabalhar nas minas de ouro da Austrália.

O St.Paul havia partido de Hong Kong com destino a Sydney, mas as calmarias tornaram a travessia extremamente lenta, o que comprometeu o seu estoque de comida.

O capitão Pinard decidiu, então, pegar um “atalho” na rota, entre as Ilhas Salomon e o arquipélago Louisiade, a fim de encurtar o tempo de viagem.

E enveredou por uma região sabidamente perigosa e mal mapeada.

O resultado foi o naufrágio do St.Paul, depois de bater em um banco de coral, a pouca distância de um grupo de ilhotas, que, por sua vez, ficavam próximas a uma grande ilha chamada Rossel, habitada por selvagens canibais.

O St. Paul tinha apenas três pequenos barcos de apoio e um deles foi destruído no naufrágio.

Restaram só dois, que logo foram ocupados pelo comandante e seus tripulantes.

Aos chineses, só restou pular no mar e nadar até uma ilhota, que, felizmente, ficava próxima.

Felizmente, ninguém morreu no naufrágio.

Mas o que aconteceria depois seria bem pior que isso.

No dia seguinte, Pinard enviou alguns homens à ilha principal, em busca de água doce.

Junto com o precioso líquido, eles encontraram um grupo de nativos selvagens, que os atacaram.

No desespero da fuga, três homens foram deixados para trás na ilha. E nunca mais foram vistos.

Ao saber do ocorrido, Pinard tomou uma decisão: partir em busca de ajuda, em terras mais civilizadas.

A Austrália, distante algumas centenas de milhas, era a localidade mais próxima.

E era para lá que ele seguiria, com um dos barcos, levando consigo a tripulação do St. Paul, a fim de ajudar na longa travessia a remo.

Mais uma vez, aos chineses, só restou o abandono, embora Pinard tivesse dito que voltaria para buscá-los.

Para evitar surpresas de última hora, a partida do grupo foi quase sigilosa.

Na madrugada seguinte, Pinard e seus homens aproveitaram que os chineses dormiam e se lançaram ao mar, com parte dos suprimentos que haviam conseguido resgatar do naufrágio do St. Paul – que, mesmo assim, durou pouco.

A travessia foi longa, sofrida e os obrigou a beber até a própria urina, para tentar aliviar a sede no mar.

Mesmo assim, Pinard mostrou-se severo e implacável com seus homens.

Doze dias depois, o grupo finalmente atingiu a então deserta costa da Austrália, onde parou em busca de água e comida.

Após encontrar o que buscava, Pinard voltou para o mar.

Mas, no caminho, o grupo foi recolhido por um barco que passava, e levado para Sydney.

Lá, após um bom tempo descansando, Pinard convenceu o capitão da fragata inglesa Styx a navegar até o local do naufrágio do St. Paul, a fim de resgatar os chineses.

Em 5 janeiro do ano seguinte, 77 dias após ter partido, Pinard retornou ao local onde havia deixado os chineses, mas só para constatar que um massacre havia sido perpetuado.

Dos 327 chineses que haviam sido deixados na ilha, restavam apenas cinco – e todos já em poder dos canibais da ilha principal, que, ao verem a chegada da fragata, fugiram para as montanhas, levando junto quatro deles.

Apenas um chinês sobreviveu e coube a ele contar o que havia acontecido.

Após a partida de Pinard, os selvagens atacaram a ilha onde eles estavam, mas, ao contrário do esperado, não mataram ninguém.

Ao contrário, levaram água e comida para os chineses, e assim continuaram fazendo, por dias a fio.

Até que, ao ver que os chineses já haviam recuperado a saúde e o peso, passaram a transportá-los para a ilha principal, em pequenos grupos.

Mas com um único objetivo: devorá-los.

Tal qual gado em processo de engorda, os chineses foram sendo paulatinamente transformados em comida, pelos nativos canibais.

A notícia chocou a Austrália e a Europa, mas não causou grande comoção no capitão Pinard, cujo histórico incluiu outro caso de abandono de subordinados, naquele mesmo episódio.

Após deixar os chineses entregues à própria sorte numa região repleta de seres primitivos e cruzar para a Austrália, Pinard também abandonou, numa parte erma da costa australiana, o seu jovem camareiro, um francês chamado Narcisse Pelletier, de apenas 14 anos de idade, que acabou sendo adotado por uma família de aborígenes e ali viveu por 17 anos, até ser resgatado por outro barco.

Mas essa já é outra história…

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“Livro fantástico, mais que recomendado”
Márcio Bortolusso, documentarista e explorador

Caiu do navio e ninguém viu. Mas o azarado virou sortudo

Caiu do navio e ninguém viu. Mas o azarado virou sortudo

Aconteceu em abril de 2003, durante um desses alegres cruzeiros pelo Caribe, repletos de bebidas e folias.

Tim Sears, um americano de 31 anos, embarcou com um amigo para uma semana de diversões a bordo do transatlântico Carnival Celebration, que seguia para a Ilha de Cozumel, no México, quando, na noite do quinto dia de viagem, caiu no mar de uma maneira que, até hoje, nem ele sabe explicar.

Inexplicável também foi a sorte que ele teve de sobreviver a um tipo de acidente que costuma ser fatal em praticamente 100% dos casos – especialmente quando ninguém a bordo percebe a queda, como foi o caso.

Tudo o que Sears recordou, depois, é que ele havia passado o dia inteiro bebendo muito, e que, à noite, depois de dançar um pouco (e beber ainda mais), resolveu sair para procurar o amigo, no cassino.

Daí para a frente, mais nada.

Quando ele deu por si, estava no meio do mar, só de cueca e camiseta, e sem o navio por perto.

O mais provável é que Sears tenha sido vítima de um apagão, causado pelo excesso de álcool, e caído da varanda de sua cabine, o que por si só representava um quase milagre de sobrevivência, porque o Celebration tinha a altura equivalente a um prédio de dez andares.

Porém, mais incrível do que a queda sem sequelas foi Sears escapar com vida do infortúnio de ficar boiando no mar por horas a fio, já que ninguém no navio percebeu sua ausência até o dia seguinte, quando o navio ancorou na ilha mexicana e o amigo, finalmente, deu por falta dele.

Quando recobrou os sentidos, após a queda do navio, Sears saiu nadando sem rumo, o que fez praticamente a noite inteira.

Quando o dia amanheceu, ele continuou nadando, embora não avistasse terra firme alguma por perto.

Até que, por volta do meio-dia, Sears viu um navio vindo, mais ou menos, na sua direção e juntou forças para nadar ainda mais rápido.

Minutos depois, ao se aproximar do navio em movimento, tentou o impossível: gritar para que alguém o ouvisse.

E não é que isso aconteceu?

Um dos tripulantes do cargueiro Eny estava passando pelo convés justamente naquele instante, quando ouviu os berros e localizou o americano na água.

Sears foi resgatado, após passar 14 horas no mar.

Praticamente no mesmo instante em que sua ausência foi, finalmente, percebida no navio do qual despencara.

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