O que se sabe sobre o barco que surgiu soterrado na praia de Santos

O que se sabe sobre o barco que surgiu soterrado na praia de Santos

Três anos atrás, quando a maré baixou, a praia de Santos, no litoral de São Paulo, revelou algo semienterrado na areia: uma fileira de intrigantes pontas de madeira, que, logo se concluiu, fazia parte da estrutura de um grande e antigo barco – que, em seguida sumiu, engolida pelo mar, para reaparecer outras tantas vezes depois.

Mas, que barco era aquele?

Começava ali um enigma, que, até hoje, três anos e algumas pesquisas depois, ainda não pode ser respondido com 100% de certeza – embora todas as evidências apontem na direção do mesmo barco: o veleiro-cargueiro inglês Kestrel, que sabidamente encalhou na praia de Santos, em 11 de fevereiro de 1895, e por lá ficou

O navio que a onda engoliu

O navio que a onda engoliu

Como pode um navio maior do que um campo de futebol desaparecer sem deixar nenhum vestígio, nem mesmo um simples pedacinho de madeira boiando no mar?

A resposta está no que o destino havia reservado para o Waratah, um navio misto de carga e passageiros, que fazia a rota entre a Austrália e a Inglaterra quando sumiu, sem deixar nenhum fragmento na superfície do mar, num ponto qualquer da costa da África do Sul, em julho de 1909.

Foi um dos grandes mistérios da época e, até hoje, desperta teorias, nenhuma cem por cento possível de ser comprovada, já que não houve sobreviventes.

Certo mesmo é que o Waratah, um navio novo e que retornava de sua viagem inaugural, partiu do porto de Durban, na África do Sul, rumo a quase vizinha Cidade do Cabo, onde faria mais uma escala na sua rota de volta à Europa, e jamais chegou lá.

Por quê?

Ninguém jamais soube dizer com absoluta convicção.

Mas poucos duvidam que o motivo tenha sido outro que não uma onda sorrateira e gigante, que engoliu o navio inteiro, de uma só vez.

A última vez que o Waratah teria sido supostamente visto foi na noite seguinte à sua partida de Durban, quando teria cruzado com o cargueiro Guelph, com o qual, como era hábito na época, quando ainda não havia rádio em todos os barcos, tinha trocado sinais de luzes, na tentativa de os dois navios se identificarem.

Mas uma fortíssima tempestade assolava a região, com ondas de até dez metros de altura, e o máximo que o operador do Guelph conseguiu identificar na mensagem visual foram as três últimas letras do nome da outra embarcação: “TAH”.

Seria muita coincidência haver outro navio passando por ali naquela noite com a mesma terminação no nome, mas o operador do Guelph jamais pode afirmar que se tratava do mesmo barco.

Dois dias depois, como o Waratah não chegou à Cidade do Cabo, começaram as buscas – que não deram em nada e se arrastaram por seis meses, a procura de algo.

Ninguém podia acreditar que um navio daquele porte pudesse desaparecer sem deixar nenhum indício.

Mas foi o que aconteceu.

O Waratah sumiu como se tivesse sido engolido pelo oceano.

E a explicação mais provável é que tenha sido isso mesmo o que aconteceu.

A hipótese mais aceita é que o Waratah tenha sido vítima de uma onda gigante, ou “onda louca”, uma muralha de água que surge do nada e engolem tudo, inclusive navios inteiros, não tão rara assim naquele trecho da costa da África.

Durante muito tempo, a ciência negou a existência destas superondas, baseada em estudos que mostravam que as ondulações nos oceanos seguiam padrões lineares de tamanho.

Portanto, as ondas não poderiam variar tanto de uma para outra.

Mas os cientistas estavam errados, como ficaria provado mais tarde.

Hoje, na medida do possível, mesmo os grandes navios tentam evitar navegar pelas zonas mais sujeitas ao surgimento das ondas gigantes, como aquela parte da costa sul-africana.

Mas, na época do Waratah, ninguém sabia disso.

Seu comandante, Joshua Ilbery, com mais de 30 anos de mar, era um homem experiente e, ao partir da Austrália, já havia notado que o navio apresentava alguns problemas de estabilidade, que teriam que ser sanados tão logo retornasse à Inglaterra.

Mesmo assim, naquela viagem, levava uma tenebrosa carga de chumbo e 212 passageiros a bordo – que viraram 211, quando um deles desistiu da viagem na escala em Durban, alegando que havia tido uma premonição sobre um naufrágio.

Pois aquele homem atormentado acabaria se tornando o único “sobrevivente” do Waratah, embora não estivesse a bordo quando o que quer que tenha sido aconteceu com o navio.

Mas, talvez, ele não tenha sido o único.

Tempos depois do desaparecimento do Waratah, um homem mentalmente confuso surgiu vagando numa praia da África do Sul, dizendo coisas sem nexo, mas intercalando-as com palavras que davam a entender “Waratah” e “onda grande”.

E acabou internado num hospício.

Mas, para muitos, não se tratava de nenhum maluco e sim do único real sobrevivente da tragédia, embora isso nunca tenha sido comprovado.

Até porque o ponto exato onde o navio desapareceu jamais foi descoberto.

Em 2001, uma expedição financiada por um empresário sul-africano anunciou ter encontrado o Waratah no fundo do mar, há menos de dez quilômetros da costa.

O fato causou furor, mas não passava de um engano.

O casco submerso era o de um navio da Segunda Guerra Mundial, que acabou sendo descoberto por acaso.

E ao lado dele jaziam os destroços de outro naufrágio, o do navio Oceanos, que afundou em agosto de 1991, também por causa das ondas, mas cujos passageiros tiveram a sorte de serem resgatados.

Já a localização dos restos do Waratah e dos seus infelizes ocupantes continua ignorado até hoje.

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André Cavallari, leitor

O que se sabe sobre o barco que surgiu soterrado na praia de Santos

O que se sabe sobre o barco que surgiu soterrado na praia de Santos

Três anos atrás, quando a maré baixou, a praia de Santos, no litoral de São Paulo, revelou algo semienterrado na areia: uma fileira de intrigantes pontas de madeira, que, logo se concluiu, fazia parte da estrutura de um grande e antigo barco – que, em seguida sumiu, engolida pelo mar, para reaparecer outras tantas vezes depois.

Mas, que barco era aquele?

Começava ali um enigma, que, até hoje, três anos e algumas pesquisas depois, ainda não pode ser respondido com 100% de certeza – embora todas as evidências apontem na direção do mesmo barco: o veleiro-cargueiro inglês Kestrel, que sabidamente encalhou na praia de Santos, em 11 de fevereiro de 1895, e por lá ficou.

“Tenho 80% de convicção de que se trata daquele barco, porque tamanho e localização do encalhe batem. Mas é preciso uma comprovação científica”, diz o pesquisador Sérgio Willians, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos e diretor técnico da Fundação Arquivo e Memória da cidade, que baseia sua opinião sobre a identidade do barco graças, também, a um antigo quadro.

A tela, pintada por Benedito Calixto, um dos grandes nomes da pintura brasileira do início do século passado, que viveu parte de sua vida em Santos, mostra um grande veleiro encalhado na beira de uma praia, mas foi erroneamente classificado como sendo o barco Caldbeck, no município vizinho de Praia Grande.

Não era. Após comparar a paisagem ao fundo da tela com a topografia das praias dos dois municípios, Willians concluiu que aquela praia era a de Santos e que o barco retratado, o Kestrel – o mesmo que, tudo indica, agora vem aflorando gradualmente na areia da praia da cidade, 125 anos depois.

“Que o barco do quadro é o Kestrel, não tenho dúvidas, diz o pesquisador Willians. “Mas não posso afirmar com precisão que seja ele que que está enterrado na praia, embora tudo indique que sim”.

A mesma opinião é compartilhada pelo arqueólogo Manoel Gonzalez, do Centro Regional de Pesquisas Arqueológicas de Santos, que vem acompanhando o surgimento gradual dos escombros desde 2017, quando os restos do barco apareceram nitidamente pela primeira vez na praia.

E ele é ainda mais otimista na identificação do barco.

“Arrisco dizer que há 90% de chances de ser o Kestrel, mas é preciso escavar o local para comprovar isso. E é aí que começam os problemas”, diz Manoel, que, ao mesmo tempo em que vibra com a descoberta de algo tão valioso para um arqueólogo, reconhece que não será nada fácil executar o trabalho.

“O local onde o barco está soterrado é extremamente ingrato, porque passa metade do tempo seco e outra metade debaixo d´água, por conta do sobe e desce das marés”, explica o arqueólogo.

“Seria até mais fácil se ficasse o tempo todo submerso, porque aplicaríamos técnicas de arqueologia submarina. Mas com essa variação abrupta de ambiente, não dá para fazer nem uma coisa nem outra. É preciso, primeiro, construir um grande muro em torno dele, para reter o mar e permitir escavar no seco. E isso custa caro”, completa Gonzalez.

O centro de pesquisas arqueológicas dirigido por Gonzalez orçou em cerca de R$ 2 milhões os recursos necessários para escavar o casco soterrado, que, segundo ele, está afundado três metros na areia, sendo que a maior parte desse dinheiro seria destinada a construção do tal muro para reter o mar em torno do achado.

“Todos os orçamentos que temos para erguer uma contenção contra o mar passam de R$ 1 milhão”, diz o arqueólogo. “Parece um valor absurdo, mas é preciso considerar que estamos falando de construir uma barreira capaz de resistir a força do mar, com três metros de altura e outros três enterrados na areia, para que a água não infiltre também por baixo. Na prática, é como construir uma ilha seca no meio do mar, para que possamos escavar”.

O custo do projeto gerou comentários irônicos dos moradores da cidade, embora Gonzalez garanta que vá tentar buscar os recursos apenas na iniciativa privada.

“R$ 2 milhões para desenterrar lixo na praia? Só pode ser piada!”, escreveu um morador de Santos, quando as primeiras notícias foram divulgadas. “Sai mais barato construir outro barco”, acrescentou outro, dando coro aos indignados com a proposta de gastar tanto dinheiro para escavar os restos do barco.

“Não é nenhuma relíquia bíblica. É apenas um monte de madeira velha. Nada que uma retroescavadeira e algumas caçambas não resolvam”, resumiu outro morador da cidade, embora parte deles vejam a descoberta na praia com bons olhos, “desde que não atrapalhe a rotina dos banhistas na praia”.

Por enquanto, a área em torno dos restos do barco foi apenas cercada, impedindo o acesso de curiosos às vigas de madeira que brotam na areia, e uma câmera de vigilância foi instalada pela Prefeitura da cidade, para monitorar o local.

Além de intimidar atos de vandalismo (“Já vi gente arrancando pedacinhos de madeira para levar para casa como suvenir”, diz, preocupado, o arqueólogo Gonzalez), o monitoramento tenta impedir acidentes com os banhistas na praia, uma vez que muitas partes do casco estão à mostra na areia e, quando a maré sobe, ficam perigosamente submersas.

“Tivemos que implantar câmera de vigilância, dedicar funcionários para monitorá-la e, cada vez que a maré sobe demais, é preciso refazer a cerca em torno do barco”, diz Wagner Ramos, secretário de Serviços Públicos da Prefeitura de Santos, que, a partir de uma decisão do Ministério Público, se tornou responsável pela manutenção e guarda dos escombros.

“E o pior é que isso tende a se tornar um trabalho quase eterno, porque vai levar muito tempo até que algo venha a ser efetivamente feito para remover os restos do barco da praia”, acrescenta o secretário, que até vê certo potencial turístico para a cidade nos restos do barco soterrado na praia, mas desde que ele seja removido de lá.

“O barco teria que ser colocado em outro lugar, o que é igualmente difícil de operacionalizar”, diz o secretário.

Uma das coisas que já se sabe é que o surgimento do barco na praia se tornou um problema para a própria cidade

O primeiro grande afloramento dos escombros do barco, em agosto de 2017, não aconteceu por acaso.

Pouco antes disso, o canal de acesso ao porto de Santos havia sido dragado, o que provocou uma alteração na movimentação das areias nas praias da baía de Santos e fez aflorar os restos do barco.

Hoje, por conta do sobe e desce das marés, os escombros somem e reaparecem na beira da praia duas vezes ao dia. E cada vez mais visíveis.

“Quando começamos a estudar o achado, só as pontas das vigas do casco ficavam à mostra. Hoje, algumas madeiras já estão meio metro acima da areia”, diz o arqueólogo Gonzalez, que brinca. “Se pudéssemos esperar mais um século, talvez a própria natureza se encarregasse de escavar o barco para nós”.

“Agora, porém, é obrigatório preservá-lo, porque, uma vez descoberto, os restos do barco se tornaram um bem com valor histórico e arqueológico que não pode mais ser destruído”, avisa o arqueólogo, que, no entanto, acha que não deve haver nada dentro do casco carcomido pelo tempo.

Após mais de um século soterrado, só deve ter restado a estrutura do casco. Mas isso tem valor arqueológico”, explica.

O Kestrel era um veleiro de transporte de carga, com casco de madeira, três mastros e 60 metros de comprimento, que fazia a rota regular entre a Europa e as Américas.

Na sua última viagem, já havia descarregado no porto de Santos e estava ancorado, enquanto a maior parte da sua tripulação – inclusive o capitão – passeava pela cidade, quando uma tempestade, com fortes ventos, arrastou o barco para a praia.

A bordo, só havia o cozinheiro e dois marinheiros, que, estranhamente, recusaram a ajuda de um rebocador, que veio ajudar a deter o avanço do barco.

Isso, mais tarde, geraria suspeitas de que o encalhe poderia ter sido proposital, para o dono do barco receber o dinheiro do seguro, já que os navios movidos a vapor tinham tornado os veleiros-cargueiros obsoletos.

“Para mim, foi um golpe descarado e o objetivo da tripulação era destruir o barco, tanto que ele estava vazio, sem nenhuma carga”, especula o memorialista Willian. “E isso enriquece ainda mais a história desse barco, se é que o que está na enterrado na praia são mesmo os restos do Kestrel”.

O comandante que destruiu o próprio navio e ganhou uma nova vida

O comandante que destruiu o próprio navio e ganhou uma nova vida

Afundar deliberadamente um barco em mau estado para receber o dinheiro do seguro é um golpe tão antigo quanto às próprias seguradoras, apesar das investigações estarem cada vez mais severas.

Mas, no final do século 19, não era assim.

Por isso, na primavera de 1897, quando o comandante italiano Cosmo Marasciulo partiu de Gênova, com destino a América do Sul, no comando do vapor Sarita, um velho navio há muito clamando por uma reforma, a ordem que ele recebeu da dona da empresa, que também se chamava Sarita, foi bem clara: ele deveria dar fim ao navio, para que o dinheiro do seguro salvasse a empresa da falência.

Foi o que o obediente comandante fez.

Ao passar pelo inóspito litoral do Rio Grande do Sul, famoso pelos fortes ventos que sempre tentam atirar os barcos de encontro a costa, o comandante Marasciulo resolveu usar a má fama da região a seu favor e colocou o Sarita a todo vapor na direção da então deserta Praia do Cassino, nas imediações da cidade de Rio Grande.

O encalhe, proposital, deixou o Sarita entalado na areia, bem perto da praia, e todos os ocupantes desembarcaram sem maiores problemas.

Mas tiveram que caminhar por dois dias na praia, até a cidade, onde registraram a ocorrência.

Na época, um precário inquérito, feito com base apenas no depoimento do próprio comandante, atestou que o navio encalhara por conta dos fortes ventos e, com base nele, meses depois, a armadora do Sarita recebeu a indenização pela perda do barco.

Para os habitantes da então pequena Rio Grande, a história do naufrágio do vapor Sarita teria terminado aí, não fosse um detalhe: a paixão que o comandante Marasciulo desenvolveu pela cidade, a ponto de decidir se mudar para lá.

Após idas e vindas entre a Itália e o Brasil, ele se radicou de vez em Rio Grande, arrumou emprego como comandante de barcos brasileiros que faziam viagens frequentes à Buenos Aires e lá casou com uma argentina, que também se mudou para a cidade gaúcha, dando início a uma grande família, hoje bastante conhecida na região: os Marasciulo.

O patriarca Cosmo Marasciulo morreu anos depois de contar a verdadeira história de sua chegada ao Brasil aos seus herdeiros, mas não a tempo de ver inaugurado um farol no exato local do encalhe do seu barco, que, não por acaso, foi batizado de farol Sarita.

Para muitos, foi uma inadequada homenagem a um velho golpe que ali deu certo.

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FOTO: acervo Popa.com

 

A estranha ilha que surgiu e sumiu

A estranha ilha que surgiu e sumiu

A região do arquipélago dos Açores é famosa pelas erupções vulcânicas submarinas, que, não raro, fazem surgir pequenas “ilhas de lava” onde antes só havia água.

Só que, quase sempre, estas mesmas ilhas desaparecem em seguida, dissolvidas pelo mar, desafiando assim permanentemente a cartografia.

Em uma destas “ilhas temporárias” ocorreu um fato curioso, em junho de 1811.

O comandante de fragata inglesa HMS Sabrina, James Tillard, navegava em busca de embarcações francesas pela região da Ilha de São Miguel, uma das que formam o arquipélago português, quando avistou colunas de fumaça no horizonte.

Julgando tratar-se de uma batalha, seguiu para lá.

Mas o que ele encontrou foi a erupção de pequeno vulcão submerso no mar, que começava a dar forma a uma nova ilha.

Sem poder se aproximar demais, Tillard tomou o rumo da principal vila de São Miguel, onde se encontrou com o consul inglês e expressou sua intenção de “tomar posse” da nova ilha em nome da Inglaterra, já que sua localização era estratégica no conflito contra os franceses.

Mas Tillard precisou esperar quase um mês até que pudesse retornar a nova ilha, que batizou de Sabrina, mesmo nome do seu barco.

Quando lá chegou, em 4 de julho, na companhia do consul inglês, para fincar a bandeira da Inglaterra e decretar aquele “novo território” como sendo parte da Coroa Britânica, a ilha que nasceu onde antes só havia mar (e com profundidades que beiravam os 100 metros) já tinha cerca de um quilômetro de diâmetro e paredões de 90 metros de altura de puro basalto.

A ousadia de Tillard, que tomara posse de uma ilha dentro de uma região que pertencia a Portugal, estremeceu as relações com os portugueses.

Mas, como naquela época a corte portuguesa havia se transferido para o Brasil e era totalmente dependente dos ingleses para se defender contra os franceses, o incidente diplomático não deu em nada.

Até porque, dois meses depois, a Ilha Sabrina já não existia mais.

Quase tão instantaneamente quanto surgiu, a nova ilha foi dissolvida pelo mar, que erodiu suas rochas basálticas como se fossem castelinhos de areia na praia.

Em outubro daquele mesmo ano, já não havia nenhum vestígio da efêmera ilha na superfície do mar.

Só o que restou daquela ilha que virou uma quase lenda entre os navegantes, mas que existiu de fato, foi um desenho das erupções que a fizeram surgir, feito por um dos oficiais da tripulação do HMS Sabrina, hoje exposto no Museu Marítimo de Greenwich, nos arredores de Londres.

Mesmo assim, até hoje, quase todos os visitantes dos Açores vão até o mirante da Ponta da Ferraria, na principal ilha do arquipélago, para ver o local onde ficava a Ilha Sabrina, aquela que só existiu por pouco mais de dois meses, e que, tão rapidamente quanto nasceu, desapareceu.

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