O jovem casal que vai passar um ano num barco num dos piores mares do mundo

O jovem casal que vai passar um ano num barco num dos piores mares do mundo

Praticamente desde que se casaram, oito anos atrás, a “casa” do casal Bruna Sobé e Jairo Machado é um veleiro de aço, de 37 pés, o Caboges, com o qual nunca mais pararam de viajar.

Já passaram temporadas inteiras em Florianópolis, Ilha Grande, Paraty, Angra dos Reis, sul da Bahia e muitos outros locais.

Recentemente, subiram navegando até Fernando de Noronha, e ali ficaram algumas semanas, com o seu barco-casa.

Em seguida, levantaram âncora e partiram rumo a um destino bem mais distante, desafiador e difícil: o lendário Cabo Horn, último pedaço de terra firme da Terra do Fogo, no extremo sul da América do Sul, onde o oceano Atlântico encontra o Pacífico e, por isso mesmo, banhado por um dos mares mais tenebrosos do planeta.

Ali eles pretendem ficar o próximo ano inteiro, inclusive durante o inverno, quando as temperaturas despencam, os ventos aumentam e o mar fica ainda mais violento.

Mas nada disso assusta o jovem casal, que agora está navegando na companhia de outro barco, o Guga Buy, e com planos de só retornar ao Brasil em 2021.

“Navegar no Cabo Horn sempre foi o sonho do Jairo e eu sempre gostei de viajar. Então, resolvemos juntar as duas vontades e ir”, diz Bruna, que quando embarcou na ideia de morar num barco, em vez de uma casa, sofria de síndrome do pânico, tinha receio do mar e enjoava com muita facilidade – três problemas que hoje ficaram para trás.

“Vivemos bem, felizes e sem dificuldades financeiras, embora tenhamos entrado nessa vida sem um centavo no bolso, porque tudo o que tínhamos gastamos na compra e reforma do barco”, garante Bruna.

Desde então, para se manter, o casal vende charters no seu barco (inclusive no caminho que estão fazendo até o Cabo Horn), hoje o único ganha pão dos dois, que, no passado, sempre viveram de salários – ele como fisioterapeuta, ela como advogada recém-formada.

“Transformamos o barco na nossa casa e, também, no nosso trabalho”, diz Bruna. “Moramos nele e vivemos dele. Mas, por onde passamos, arranjamos clientes. O único problema é que, se acontecer algo com o barco, a gente perde a casa e, também, o emprego”, brinca a gaúcha, que também irá continuar recebendo hóspedes durante os doze meses que o casal permanecerá nas águas frias da Terra do Fogo.

“Queremos receber brasileiros que queiram navegar no “Fim do Mundo”, diz Bruna, citando o apelido pelo qual é conhecida a região do Cabo Horn, já que, depois dele, não há mais nada – só a Antártica.

Bruna e Jairo só pensam em voltar a viver em terra firme se, um dia, tiverem um filho. “Mas, só por um tempo, até que o bebê cresça e possa ir para o barco”, ela acrescenta.

“Pretendemos morar no mar enquanto tivermos saúde física e mental para isso”, garante Bruna, que, no entanto, para viver num barco teve que abrir mão de algumas coisas. Uma delas, um armário cheio de roupas.

“Hoje, tenho só uma calça jeans, que não usei mais do que três vezes esse ano. Quando alguém quer me dar um presente, peço maiô, camiseta, short ou pijama, porque é tudo o que eu visto atualmente. Quer dizer, agora, também vou precisar de um casaco”, brinca, numa alusão ao frio quase permanente no extremo sul do continente, onde, no inverno, parte dos canais da Terra do Fogo até congela.

“Morando num barco, descobri que quase tudo que eu tinha na cidade, roupas, bens, automóvel, era apenas uma ´obrigação social`, algo que a gente tinha só porque os outros também tinham. Troquei a vaidade pela paz de espírito. Meus valores mudaram. Hoje, não sinto falta de nada. Só mesmo da família, que a gente só vê quando passamos com o barco por Porto Alegre”, diz Bruna.

E ela completa: “Nossas famílias têm pena da gente, porque acham que passamos privações e necessidades no barco. Mas, que nada! Viver assim foi uma escolha e um privilégio”.

No momento, o casal está em Mar Del Plata, na Argentina, a caminho do extremo sul do continente sul americano, onde pretendem chegar na segunda quinzena de janeiro.

Lá, irão se juntar a outra navegadora brasileira, a carioca Christina Amaral, que também pretende passar o próximo ano inteiro navegando no mar da Patagônia, “para sentir na pele as bruscas mudanças das estações do ano no Fim do Mundo”, diz a velejadora.

Bruna e Jairo não são o primeiro jovem casal que decidiu trocar uma casa por um barco, e a vida convencional pelo prazer de sair navegando por aí. Mas parecem determinados a não voltar atrás.

“Estamos escolhendo um lugar no mundo para lançar âncora no futuro, quando estivermos velhinhos”, brinca a gaúcha. “E o barco tem ajudado também nessa pesquisa”.

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10 fatos absurdos que marcaram a tragédia do Bateau Mouche

10 fatos absurdos que marcaram a tragédia do Bateau Mouche

31 anos atrás, na noite do Réveillon de 1988, o Brasil conheceu o seu pior e mais famoso naufrágio, fruto da combinação de irresponsabilidade, negligência, ganância e descaso: o do barco de recreio Bateau Mouche IV na saída da Baía de Guanabara, quando levava 142 pessoas para a festa dos fogos de artifício na praia de Copacabana, onde jamais chegou.
A tragédia, que ceifou a vida de 55 pessoas, foi causada, basicamente, por 10 motivos, aqui listados:

1 – Ampliação irresponsável do barco

Meses antes do réveillon, o Bateau Mouche IV, um ex-barco lagosteiro que havia sido adaptado para transportar passageiros, passou por outra grande reforma. E ganhou um segundo deque de concreto, que pesava quatro toneladas, no lugar do original, que não passava de um simples telhado de madeira para convés principal. Com isso, o barco passou a ter dois “andares” externos, além do salão interno. A reforma, assinada por um engenheiro civil – e não naval -, incluiu, ainda, duas caixas d´água no novo deque, cada uma com capacidade para 2 500 quilos de água, o que aumentou o peso “suspenso” no barco em cerca de nove toneladas, sem a devida compensação no equilíbrio na parte de baixo do casco, isso alterou drasticamente o centro de gravidade do barco, que passou a se comportar como uma espécie de João-Bobo ao contrário – tinha mais peso em cima do que embaixo. A Marinha vistoriou o barco na antevéspera do naufrágio e não fez nenhuma objeção à reforma. Nem mesmo ao fato de algumas escotilhas terem ficado absurdamente abaixo da nova linha d´água pintada no casco.

 

2 – Muito mais gente do que cabia a bordo

A capacidade original do barco eram 62 pessoas. Naquela noite, entre tripulantes, garçons e, sobretudo passageiros, havia 142 pessoas – mais que o dobro. A bordo, o excesso de gente era evidente. Preocupado, o mestre do barco, Camilo Faro da Costa, chegou a comentar isso com a família, ao ligar para casa, antes de partir. Disse que o mar não estava bom e que ainda teria que navegar com bem mais passageiros do que o barco permitia, porque a empresa que o retara tinha vendido mais passagens do que deveria.

 

3 – Mobiliário pesado e solto no barco

Para a festa de Réveillon, como se não bastasse o excesso de gente, o Bateau Mouche IV ainda recebeu dezenas de cadeiras e pesadas mesas com tampos de mármore, que, ainda por cima, não foram fixadas. Ficaram soltas no convés. Com isso, quando o barco começou a inclinar, o mobiliário deslizou, aumentando ainda mais o peso do barco em apenas um dos lados, derrubando e esmagando pessoas no caminho.

 

4 – Regulamento não foi seguido

O regulamento da festa previa que, se o mar estivesse ruim, o passeio se restringiria ao interior da Baía de Guanabara, sem chegar à Copacabana. Mas isso não foi respeitado pelos responsáveis pela festa, a empresa Itatiaia Turismo, que havia fretado o barco. Para não frustrar os passageiros, ansiosos por ver, do mar, o show de fogos de artifício na mais famosa praia do Rio de Janeiro, eles ordenaram que o mestre do barco fosse até lá, mesmo com o mar em condições impróprias, ainda mais para um barco superlotado. O comandante até tentou atrasar a saída ao máximo, de forma a ficar o menor tempo possível na área de mar aberto, onde o risco era maior. Mas o Bateau Mouche IV nem chegou até lá. Na saída da baía, faltando menos de dez minutos para a meia-noite, quando começaria o espetáculo, veio a catástrofe.

 

5 – A Marinha interceptou, mas liberou o barco

Logo após partir, o Bateau Mouche IV foi interceptado por uma lancha da Capitania dos Portos. O barco parecia ter gente demais a bordo e navegava de maneira instável, o que chamou a atenção dos dois oficiais da Marinha que estavam na lancha. Abordado, os passageiros foram contados e o Bateau Mouche IV conduzido de volta ao píer – onde aconteceu uma suspeita conversa entre os dois militares e o representante da empresa que fretara o barco, testemunhada, a distância, por todos os passageiros. Em seguida, os dois fiscais retornaram ao barco e deram permissão de partida ao comandante. Mais tarde, uma investigação da Marinha comprovaria que houve suborno. Mas os dois oficiais envolvidos foram punidos apenas pela própria corporação – não pela Justiça.

 

6 – O barco partiu em situação pior ainda

Durante o tempo em que o Bateau Mouche IV ficou retido no píer, o mau tempo piorou. Ventava bastante quando o barco partiu novamente. Com isso, o instável casco passou a oscilar ainda mais. Um dos passageiros chegou a brincar com um amigo, perguntando se o barco estava balançando mais que antes ou se era ele que já estava bêbado? O amigo respondeu que eram as duas coisas. Como fazia calor, algumas escotilhas do casco estavam abertas – e outras, em mal estado, não tinham borrachas de vedação. Com o balanço acentuado do casco, passou a entrar água no barco, que foi escorrendo e empoçando no porão, onde ficava o compartimento dos motores. Além disso, a descarga de um dos banheiros, que também havia sido alterada na reforma, passou a verter água para dentro em vez de expulsá-la. E o pior de tudo: a bomba de porão estava quebrada.

 

7 – O mar, naquele dia, não permitia isso.

Com o barco cada vez mais pesado, por conta da entrada de água, e instável (pelo mesmo motivo), a prudência mandaria retornar imediatamente, antes de deixar a segurança da baía. Mas não foi o que aconteceu. No exato instante que o barco atingiu a saída da Baía de Guanabara, os motores, inundados, pararam de funcionar, bem como o gerador. O barco ficou às escuras e à mercê das ondas. Três delas, em sequência, fizeram o Bateau Mouche jogar descontrolado de um lado para outro, até que, com o peso dos passageiros e mobiliário arremessados para o mesmo lado, capotou e afundou. Rapidamente. Era a concretização de uma tragédia anunciada.

 

8 – Nem todo mundo prestou socorro.

Apesar das dimensões da tragédia e de mais de uma centena de pessoas terem sido lançadas na água, nem todos os barcos que passavam pelo local, a caminho da mesma festa, pararam para socorrer às vítimas. A escuridão não permitia enxergá-los, e é certo que alguns que escaparam do naufrágio acabaram morrendo atropelados pelos mesmos barcos que poderiam tê-los salvos. Só dois barcos perceberam a situação e passaram a recolher o máximo possível de pessoas da água. Um deles era o iate Casablanca, do empresário Oscar Gabriel Júnior; outro, a humilde traineira do pescador Jorge Souza Viana, que seguia para Copacabana com a família. Juntos, eles recolheram a maior parte dos sobreviventes. Não fossem aqueles dois barcos, as dimensões da tragédia teriam sido ainda piores. Mesmo assim, instantes depois, ao saberem do acidente, alguns donos de lanchas que estavam no elegante Iate Clube do Rio de Janeiro não quiseram trocar a festa pelo resgate. Mas a festa acabou do mesmo jeito, porque foi para lá que começaram a ser levados os corpos das primeiras vítimas. No total, 55 pessoas perderam a vida naquele triste Revéillon no mar do Rio de Janeiro.

 

9 – Os responsáveis não foram punidos

Apesar da comoção nacional que o acidente gerou e das claras evidências de ganância e negligência dos responsáveis, praticamente ninguém nunca foi punido pelo naufrágio do Bateau Mouche IV. No primeiro julgamento, o juiz preferiu concentrar as responsabilidades apenas no mestre e no engenheiro do barco – que, no entanto, não podiam ser punidos, porque ambos haviam morrido no naufrágio. Indignada, a sociedade exigiu um segundo julgamento, que, por fim, acabou condenando três dos nove sócios do barco (dois espanhóis e um português), mas a uma pena de prisão parcial, que permitia que eles passassem os dias fora do presídio. Não demorou e todos fugiram do país. Na prática, ninguém foi punido.

 

10 – Até hoje, os parentes das vítimas não foram indenizados

Para os familiares das vítimas, após a tragédia no mar, começou outra, na Justiça. Entre os sócios da empresa que fretara o barco, um morreu em seguida e os outros seguem, até hoje, empurrando os processos de indenização, através de intermináveis recursos. Raríssimos já receberam alguma coisa. Só no ano passando, quando a tragédia completou três décadas, o Supremo Tribunal Federal condenou a União (por negligência na vistoria do barco e por ter concedido autorização para aquele passeio) e os sócios vivos da falida Itatiaia Turismo a indenizarem uma dezena de parentes das 55 vítimas fatais do naufrágio. Valor da Indenização: entre R$ 150 e 450 mil – quase nada perto do valor inestimável de uma vida.

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A incrível Galinha que deu a volta ao mundo navegando, agora partirá de novo

A incrível Galinha que deu a volta ao mundo navegando, agora partirá de novo

De acordo com as estatísticas, mais da metade da população mundial possui algum animal de estimação.

O velejador francês Guirec Soudée, de 25 anos, é um deles.

Só que, ao contrário da esmagadora maioria dos habitantes do planeta, o bichinho que ele tem não é um gato nem um cachorro: é uma galinha – que Guirec batizou de Monique.

Não seria nada excepcional, não fosse o local onde Guirec (sempre com Monique ao seu lado) passa a maior parte do tempo: dentro de um barco, navegando mundo afora.

Só ele e a galinha.

“Conheci Monique quando fiz uma escala com meu barco nas Ilhas Canárias, a caminho do Caribe, cinco anos atrás. Ela era jovem, saudável, bonita e conclui que seria ótima companhia na viagem, porque galinhas não enjoam, não reclamam e ainda põem ovos, para ajudar no almoço”, diz Guirec, que jura que jamais pensou em transformar a própria companheira de viagem em item do cardápio.

“Todo mundo me falou que não ia dar certo, que ela ia ficar estressada com o balanço do veleiro e pararia de pôr ovos. Mas, que nada. Logo na primeira noite da travessia, ela botou um ovo e, depois, não parou mais. Foram 25 ovos em 28 dias no Atlântico”.

Agora, após cinco anos seguidos no mar (sempre ao lado de Monique, que só desembarca para passear e, se possível, ciscar um pouco em terra firme), Guirec está preparando sua próxima longa travessia – que, segundo ele, será ainda mais longa e difícil do que a primeira.

“Quero voltar para as regiões polares, mas ainda estou planejando o roteiro, que só deve começar no final do ano que vem. Mas uma coisa é certa: seja para onde for, Monique vai junto”, garante Guirec, que pretende colocar sua galinha, novamente, numa fria.

Literalmente.

Na primeira viagem, Guirec e Monique deram simplesmente a volta ao mundo, no sentido Norte/Sul, e visitaram os dois pontos mais gelados do planeta: os polos Sul e Norte.

Ou seja, o Ártico e a Antártica.

Na ocasião, eles partiram do Caribe, subiram até o Ártico (onde, entre outras façanhas, passaram quatro meses trancados no mar congelado da Groenlândia, vivendo basicamente só de arroz e milho, respectivamente), atravessaram para o outro lado do continente americano e desceram até a Antártica, onde passaram uma nova temporada de meses seguidos no gelo, antes de retornarem à Europa, o que só aconteceu cinco anos depois do primeiro encontro entre o velejador francês e aquela galinha sortuda – possivelmente, a ave mais viajada do mundo.

No momento, os dois estão na casa de Guirec, numa pequena ilha na Bretanha, ele finalizando um documentário sobre a longa viagem que fizeram, ela cacarejando no jardim e catando minhocas, enquanto aguarda a hora de embarcar de novo.

“A Monique é muito aventureira”, garante o francês. “Já andou de trenó na neve, navegou em prancha de stand up e foi a primeira galinha que se tem notícia a atravessar a Passagem Noroeste, que une o Atlântico ao Pacífico pelo Ártico, e chegar viva do outro lado, escapando da panela”, brinca o francês,

“É, também, a única galinha do mundo que sabe velejar, ou, pelo menos, que não sai cacarejando histericamente quando o barco inclina. E adora sentir o vento balançando suas penas, além de gostar tanto de peixe quanto de milho”, diz o exótico velejador, que passou a usar a galinha como sua principal ferramenta de marketing pessoal.

O barco/casa de Guirec e Monique é um veleiro de 32 pés, que ele comprou quando tinha apenas 20 anos de idade, mas planos já maduros de sair navegando pelo mundo – a princípio, sozinho.

A galinha mudou isso. “A gente se dá muito bem e ela não reclama de nada. Nem da falta de poleiros no barco”, diz, rindo.

Segundo Guirec, Monique tem cerca de sete anos de idade e, como toda galinha, pode viver até os 15, “se ninguém devorá-la antes disso, claro”.

Mas não será ele que irá fazer isso.

“Ainda temos muito o que explorar juntos. Adoro aventuras e ela, também”, diz o francês.

Juntos, Guirec e sua galinha também já lançaram três livros sobre as travessias marítimas da improvável dupla: “O mundo segundo Monique”, “A fabulosa história de Guirec e Monique”, e o infantil “A galinha que deu a volta ao mundo”.

E alimentam, diariamente, uma legião de fãs nas redes sociais.

Os dois têm mais de 130 mil seguidores no Facebook, outra metade disso no Instagram, vídeos que, vira e mexe, viralizam no Youtube, e tornaram-se conhecidos no mundo inteiro, o que levou o francês a vislumbrar um meio de ganhar dinheiro com palestras – nas quais, obviamente, a galinha vai junto.

“Quem me conhece, sabe que eu nunca fui totalmente normal”, diz o francês, com total sinceridade.

E nem Monique discorda disso.

Cruzar o Pacífico: o novo objetivo do homem que atravessou o Atlântico à deriva, dentro de um barril

Cruzar o Pacífico: o novo objetivo do homem que atravessou o Atlântico à deriva, dentro de um barril

Em abril deste ano, o aventureiro francês Jean Jacques Savin conseguiu realizar uma das travessias mais improváveis da História.

Ele atravessou o Atlântico, das Ilhas Canárias ao Caribe, totalmente à deriva, dentro de uma espécie de barril, que ele mesmo construiu, sem velas, nem motor nem nenhum tipo de propulsão.

Savin havia partido das Ilhas Canárias no dia 26 de dezembro, planejando chegar do outro lado do oceano em cerca de três meses, levado apenas pelos ventos e correntes marítimas, na mais ousada travessia do Atlântico que se tem notícia.

Levou pouco mais de um mês além disso.

Mas, após 122 dias no mar e mais de 3 000 milhas náuticas percorridas totalmente à deriva, por vontade própria, Savin deu por completada a inédita travessia, ao cruzar com seu barril o Meridiano 65 W, usado para delimitar oficialmente o Mar do Caribe dentro do oceano Atlântico.

Ele, então, fez contato com a Guarda Costeira americana e pediu ajuda, pois temia ser lançado em outras correntes que o levassem na direção norte, para fora do Caribe.

Cinco dias depois, o francês e seu barril foram içados pelo navio petroleiro holandês Kelly Anne e deixado na ilha de St. Eustatios, próxima à Martinica, objetivo final do francês.

De lá, um rebocador conduziu Savin até a possessão francesa, onde ele foi recebido pela mulher, Josyane e por um grupo de amigos.

“Foi uma experiência fantástica”, resumiu Savin numa entrevista ao jornal americano The New York Times, ao desembarcar e abraçar a mulher. “No meio do oceano, sendo levado por ele, você tem a real sensação do que é liberdade. Não há regras nem ninguém dizendo o que você tem que fazer”.

O mais curioso, no entanto, é que Savin não é nenhum jovem impetuoso e sim um senhor de 72 anos de idade e já avô, embora com um respeitável histórico de aventuras e ousadias no currículo.

O barril no qual ele fez a insólita travessia não passava de uma espécie de rolha, com três metros de comprimento por dois de diâmetro, com uma cama, uma pia (com água dessalinizada, extraída do mar), um fogareiro, um assento e um compartimento para guardar comida desidratada e mais nada.

Além disso, Savin fez a viagem sozinho, sem nenhuma companhia. “Nem caberia outra pessoa no barril”, explicou, bem-humorado, ao partir das Ilhas Canárias, sob a descrença de muitas pessoas.

“Não serei o capitão de um barco e sim um simples passageiro do mar. Ele me levará para onde quiser”, disse Savin, ao partir. E assim ele o fez.

No navio que resgatou o francês, antes que seu barril errante tomasse outro rumo ou se esborrachasse nas pedras de alguma ilha, Savin tomou o primeiro banho em mais de quatro meses e, quando perguntado sobre o que gostaria de comer, pediu apenas dois ovos fritos.

Na ocasião, ele também comentou que o melhor momento da travessia foi quando, após 62 dias no mar, foi socorrido pelo navio americano Ronald Brown que lhe forneceu comida e frutas, quando Savin percebeu que não conseguiria completar a jornada nos três meses que havia planejado.

“Os primeiros passos no convés do navio foram bem difíceis”, recorda, rindo. “Eu parecia bêbado. Não conseguia andar em linha reta e precisei da ajuda de dois homens para subir as escadas e conversar com o comandante. Eu, praticamente, precisei reaprender a caminhar”.

Apesar da extensão da jornada e da dieta à base apenas de comida desidratada e peixe fresco (quando conseguia capturar algum), Savin perdeu apenas quatro quilos durante a travessia. “Ele chegou bem de saúde, mas, mesmo assim, sugeri que fizesse um checkup completo”, disse um dos amigos que foram recepcioná-lo na Martinica, o médico francês Pierre Galzot.

Durante a jornada, Savin cruzou com outros navios, mas nem todos de maneira tão tranquila. “Por duas vezes, quase fui atropelado por eles. Um deles só me viu porque eu disparei foguetes sinalizadores quando ele já estava prestes a passar por cima do meu barril”, recorda.

Mesmo assim, Savin garante que em momento algum pensou em desistir da sua louca travessia.

Também garante que não sentiu medo nem solidão. “Eu queria justamente ficar sozinho”, explicou. “A solidão me faz bem, me faz permanecer ativo e jovem”, disse o dono da ideia de cruzar o Atlântico da maneira mais natural possível – ou seja, sendo levado pelo próprio oceano.

“Aproveitei a viagem para escrever um livro sobre a travessia, que sairá em breve. Também li bastante, incluindo uma versão compacta da Bíblia, porque para lê-la inteira eu precisaria ter atravessado um oceano maior que o Atlântico”, brincou. “Na verdade, o tempo passou bem rápido”, completou.

A inspiração para a inédita travessia de Savin veio da ousadia de outro francês, o médico Alain Bombard, que, em 1952, também cruzou o Atlântico sozinho com um bote de borracha, sem água nem comida a bordo. Ele sobreviveu bebendo água do mar e comendo apenas os peixes crus que capturava. A experiência rendeu um livro, chamado Náufrago Voluntário, e fama mundial a Bombard, que, desde então, virou ídolo de Savin.

“Eu era garoto quando li o livro que ele escreveu e aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. Virou o meu sonho fazer algo igual, e, agora, eu fiz”, disse, feliz, o septuagenário francês.

Sonho realizado?

Sim, mas, agora, Savin tem outros mais.

Ele quer atravessar o Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, à nado e, se conseguir patrocinadores, também cruzar à deriva, com um barril do mesmo tipo, o maior oceano do mundo, o Pacífico, algo igualmente jamais tentado.

“Deve levar uns seis meses”, estima. “Mas o mar exige paciência”.

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Sete meses à deriva no mar e dividindo o pouco que tinha com um gato

Sete meses à deriva no mar e dividindo o pouco que tinha com um gato

O Natal de 2017 foi o melhor da vida do polonês Zbigniew Reket, então com 54 anos.

Naquele 25 de dezembro, ele foi finalmente resgatado no mar, depois de passar sete meses à deriva no Oceano Índico, na companhia apenas de um gato – que também sobreviveu àquele calvário.

O drama do polonês começou quando, ao partir das Ilhas Comores, rumo a África do Sul, de onde pretendia seguir viagem para a sua terra natal, ele viu seu precário barco se desmantelar no mar.

Primeiro, quebrou o mastro – que ele havia improvisado. Depois, soltou o leme. Por fim, pifou o motor, que Reket usava para recarregar as baterias do rádio – que, com isso, também parou de funcionar.

Havia, porém, uma explicação para tantos problemas: o barco de Reket não era propriamente um barco convencionl.

Muito menos um veleiro, embarcação bem mais adequada para longas travessias, como a que ele pretendia fazer.

O barco do polonês não passava de um velho bote salva-vidas de grandes navios, desses que são usados em operações de abandono no mar, que ele havia comprado no maior desmanche de navios do mundo, nas praias de Alang, na Índia – onde um cargueiro inteiro desaparece em questão de dias, nas mãos do formigueiro humano de trabalhadores indianos.

O plano de Reket, que não tinha dinheiro para comprar um barco de verdade (daí ter ido até lá, para ver o que conseguia arrematar), era adaptar aquele salva-vidas, que custara uma micharia, já que seria transformado em sucata, para que pudesse navegar movido pelos ventos – o que, no entanto, não deu certo, porque, logo no início da viagem, caiu o mastro.

Quando isso aconteceu, Reket não pode contar com o motor para retornar, porque ele também parou de funcionar.

E foi assim que começou o seu martírio de sete meses à deriva no Índico, ao lado apenas do seu gato de estimação.

Durante todo esse tempo, o polonês disse ter visto vários navios, mas não tinha como fazer contato – porque, sem motor para carregar as baterias, não tinha rádio.

Também avistou terra firme diversas vezes, mas, sem leme, não conseguia fazer o barco chegar até lá.

Até que, naquele dia de Natal, veio o presente que ele jamais esquecerá: o resgate, feito por um barco de passeio, que se aproximou para ver aquela estranha embarcação, quando navegava nas imediações das Ilhas Reunião.

Ao ser resgatado, Reket foi recebido com certa incredulidade, dado a façanha que ele dizia ter realizado.

Contou, também, que sobreviveu graças a água da chuva que coletava, dos peixes que, eventualmente, capturava, e da ração de meio pacote de macarrão japonês por dia, que era tudo o que restava no barco – e que ele ainda dividia com o gato.

Mas a fome do polonês (e do gato) contou a seu favor e logo o polonês passou a ser reconhecido como um náufrago de verdade. Que, em momento algum, pensou em transformar em comida o seu companheiro de infortúnio.

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Foto: Reprodução Getty

O novo desafio do homem que achou o Titanic: encontrar, no mar, os restos do avião de Amelia Earhart

O novo desafio do homem que achou o Titanic: encontrar, no mar, os restos do avião de Amelia Earhart

Após um mês e meio de buscas com avançados meios de rastreamento submarino, não deu em nada a expedição promovida pelo famoso pesquisador americano Robert Ballard, o homem que achou o Titanic no fundo do Atlântico, para tentar encontrar os restos do avião da lendária aviadora Amelia Earhart, que desapareceu em algum ponto do Oceano Pacífico, durante a primeira tentativa de uma mulher de dar a volta ao mundo voando, 82 anos atrás.

Mesmo usando um moderno navio de pesquisas, equipado com dois mini submarinos capazes de descer a grandes profundidades, tudo o que a expedição de Ballard encontrou no entorno do esquecido atol de Nikumaroro, na parte central do Pacífico Sul, foram restos de um velho naufrágio, uma antiga garrafa de refrigerante e dois chapéus carcomidos pelo tempo – e nenhum deles relacionados com a famosa aviadora, misteriosamente desaparecida em 1937, juntamente com seu companheiro de voo, o navegador Fred Noonan.

Mas nem assim Ballard, um especialista em procurar agulhas em palheiros dentro dos oceanos (ele também achou o mais famoso navio alemão afundado na Segunda Guerra Mundial, o couraçado Bismarck, 30 anos atrás), desistiu de ideia de encontrar os restos do avião Lockheed Electra da americana e, com isso, desvendar um dos maiores mistérios do último século: onde  – e como – morreu Amelia Earhart?

“Já sabemos onde o avião ´não` está”, disse Ballard, espertamente, ao retornar da fracassada expedição, que ele, no entanto, considera apenas o primeiro passo efetivo nas buscas do avião desaparecido. “Para achar o Titanic, foram preciso quatro expedições e, numa delas, não achamos o navio por míseros metros de distância”, disse ele, recentemente, ao jornal The New York Times.

Apesar do insucesso da expedição, que quase ninguém acreditava mesmo que pudesse ser bem-sucedida (se não é fácil achar um navio inteiro no fundo do oceano, que dirá restos de um pequeno avião 80 anos depois, que, se caiu mesmo no mar, com certeza se despedaçou), a busca de Ballard pela verdade sobre a morte da mais icônica aviadora da História irá ao ar neste domingo, nas televisões do mundo inteiro, às 22h30, com a apresentação do documentário inédito Expedição Amelia, no canal da National Geographic (no Brasil, exibido pela Fox).

O documentário (clique aqui para assistir ao trailer) mostrará, além da história de Amelia Earhart (que já virou até filme de Hollywood, com Richard Gere no papel do seu atormentado marido), as buscas que Ballard fez, depois de ser convencido pela instituição privada Tighar (iniciais, em inglês, de “Grupo Internacional para Descoberta de Aviões Históricos”), de que a suposta queda do avião aconteceu no atol de Nikumaroro e não nas imediações da ilha Howland, onde Amelia faria uma escala para reabastecimento e onde sempre se acreditou que teria acontecido o acidente – justamente por falta de combustível.

Segundo a Tighar, que já fez mais de uma dúzia de expedições ao atol, uma foto aérea de Nikumaroro, feita por um oficial inglês, em 1940, mostrava um objeto que se assemelhava ao trem de pouso de um Electra nas rochas da costeira da ilha, o que, no entanto, jamais foi comprovado.

Em sua expedição, o próprio Ballard vasculhou o atol em busca da tal peça e tudo o que encontrou foram pedras, que, do alto, poderiam dar a impressão de serem o trem de pouso de um avião. Mas não passavam de rochas.

A equipe do americano também recolheu amostras do solo do local onde havia um antigo acampamento na ilha deserta (que, se supõe, foi feito por algum náufrago, talvez a própria Amelia, caso tenha sobrevivido a queda do avião) e, agora, tentará provar, através de exames de DNA com parentes da aviadora que ainda estão vivos, que ela teria morrido ali e não no mar.

Naquele mesmo acampamento, décadas atrás, foram encontrados 13 ossos humanos, que, no entanto, na época não foram analisados e, com o tempo, acabaram se perdendo em um laboratório das Ilhas Fiji.

Mas, com base em velhas fotografias, pesquisadores concluíram que aquela ossada poderia ter pertencido a uma mulher (coisa rara em se tratando de um náufrago, ainda mais em uma parte tão erma do planeta) e que ela bem poderia ter sido Amelia Earhart – que, neste caso, teria sobrevivido a um pouso de emergência no mar (talvez, seu navegador não), mas morrido como náufraga, numa ilha deserta.

No entanto, pela teoria mais aceita até hoje, Amelia Earhart e seu navegador caíram no mar nas proximidades da Ilha Howland, onde iriam reabastecer para continuar a travessia do Pacífico, e bem perto do navio na Marinha Americana Itasca, que daria apoio, pelo rádio, para que a aviadora encontrasse a pequena ilha na imensidão do oceano.

Naquele dia, 2 de julho de 1937, navio e avião mantiveram contato por um bom tempo, até que Amelia deixou de responder aos chamados do operador de rádio do Itasca, talvez por uma falha no seu equipamento.

Desesperada, a tripulação do Itasca enviou, então, mensagens em código Morse, que foram recebidas mas não respondidas pelo navegador Fred Noonan. E até acionou as chaminés do navio, na esperança de que a fumaça servisse de referência para que a aviadora conseguisse visualizar a ilha. Tudo em vão.

Durante meses, intensas buscas pelos restos do avião nas proximidades da Ilha Howland também não trouxeram nenhum resultado. E foi isso que levou a Tighar – e Ballard – a concentrarem suas pesquisas em outra ilha, a cerca de 600 quilômetros de distância.

“O Atol de Nikumaroro fica na mesma direção que Amelia seguia, só que bem depois da ilha onde ela deveria ter pousado. Ela pode ter passado pela ilha sem tê-la visto e, por isso, seguiu em frente, até ficar sem combustível. Mas, talvez, seu avião não tenha caído e sim feito um pouso de emergência no mar, junto ao atol, daí os ossos encontrados no acampamento”, analisava Ballard, antes de partir para a sua expedição, no último mês de agosto.

“Se acharmos vestígios do avião, será uma prova de que Amelia Earhart pode não ter morrido na queda, nem afogada”, dizia, na ocasião, o famoso pesquisador.

Só que Ballard não encontrou nada.

Aviadora mais famosa da História

O que torna o desaparecimento de Amelia Earhart intrigante até hoje é a própria história da aviadora, repleta de feito inéditos.

Mulher muito à frente do seu tempo, ela começou a se interessar pela aviação numa época em que o sonho de praticamente todas as mulheres era apenas casar, ter filhos e se tornar uma exemplar dona de casa.

Em 1920, Amelia aprendeu a pilotar aviões, numa época em que as mulheres sequer dirigiam automóveis. E, menos de oito anos depois, em junho de 1928, conseguiu que fosse incluída na tripulação (junto com dois homens) da equipe que levaria a primeira mulher a fazer a travessia do Atlântico pelos ares.

A travessia foi um sucesso, mas Amelia saiu do avião irritada, porque não lhe foi permitido fazer praticamente nada durante o voo.

“Fui um mero lastro na viagem. Um saco de batatas teria feito a mesma função que eu tive no avião”, resumiu a audaciosa aviadora, que, por isso, tratou de criar o seu próprio projeto: o de ser a primeira mulher a atravessar o Atlântico pilotando sozinha, o que faria quatro anos depois.

O feito transformou Amelia em celebridade, sobretudo entre as mulheres, nos Estados Unidos. E a tornou uma espécie de símbolo da independência feminina.

Embalada, então, pela fama e popularidade, Amelia apresentou um projeto ainda mais ousado: tornar-se a primeira mulher a voar ao redor do mundo pilotando o próprio avião, mas, desta vez, dada a complexidade da viagem, tendo a companhia de um navegador, Fred Noonan.

A dupla partiu da Califórnia em março de 1937, mas não passou da primeira escala, no Havaí, quando uma falha na decolagem causou problemas mecânicos no avião. A travessia for abortada, mas não cancelada.

Três meses depois, Amelia e Fred partiram de novo, com o mesmo Lockheed Electra, mas, desta vez, no rumo oposto, no sentido oeste/leste, a fim de aproveitar os ventos predominantes.

A jornada, que começou em Miami e incluiu até uma escala em Natal, no litoral do Nordeste brasileiro, avançou pela África, Oriente Médio e Ásia, até chegar a Papua Nova Guiné, onde Amelia se preparou para o trecho mais desafiador da viagem: a travessia do Pacífico, o maior oceano do planeta.

Como seu avião não tinha autonomia para uma travessia tão longa, ficou combinado que ela faria uma escala na Ilha Howland, para reabastecer, e que o navio Itasca ficaria nas proximidades, dando apoio pelo rádio e indicando a localização exata da ilha – que, no entanto, jamais foi alcançada pela aviadora.

Nas últimas comunicações por rádio, Amelia reportou que estava com pouco combustível. E, em seguida, começou um desencontro geral de informações entre o navio e o avião, que culminou com um angustiante silêncio.

Se o avião de Amelia Earhart caiu nas proximidades da Ilha Howland, como sempre defenderam as teorias, ou se ela voou a esmo sobre o oceano até acabar a última gota de combustível, como Ballard quer provar, é o grande enigma que restou deste histórico e trágico episódio.

Mas, se depender de Ballard, apesar do fracasso da expedição inicial, a busca pelo avião de Amelia não terminou.

“O desaparecimento de Amelia Earhart é, talvez, o maior enigma não explicado do século passado. E cada vez que uma nova expedição fracassa, aumenta ainda mais o mistério”, disse o pesquisador, acrescentando que fará uma nova tentativa em 2021, quando seu navio voltará a região, para mapeamentos submarinos do Pacífico Sul. Inclusive nas proximidades da Ilha Howland, que Ballard, agora, também não descarta vasculhar.

“Minha mãe adorava Amelia Earhart e, também em homenagem a ela, vou continuar buscando os restos do avião, em outros locais e ocasiões. Aquele avião existiu e seus destroços estão em algum lugar. Não é como a lenda do monstro do lago Loch Ness”, finalizou o pesquisador ao The New York Times, alimentando ainda mais um dos mistérios favoritos dos americanos, até hoje: que fim levou Amelia Earhart?

Foto Nautilus Live/Divulgação