Como uma onda no fundo do mar pode ter afundado este submarino?

Como uma onda no fundo do mar pode ter afundado este submarino?

No início de maio, a informação dada pela Marinha da Indonésia de que o afundamento do submarino KRI Nanggala-402, no dia 21 de abril deste ano, com 53 homens a bordo, pode ter sido causado por um fenômeno natural chamado “onda interna solitária”, deixou a imensa maioria das pessoas do planeta intrigadas.

E perplexas.

Até então, praticamente ninguém fora do meio científico tinha ouvido falar de tal tipo de onda submersa.

No entanto, mesmo quem nunca pôs os pés em submarino, mas já voou de avião, muito possivelmente já sentiu algo bem parecido, sob outro nome: turbulência.

“Ondas internas” são uma espécie de turbulência no fundo do mar. Só que, dependendo da região e da topografia do leito marinho, elas se tornam bem mais intensas do que uma simples turbulência no ar.

E são bem mais comuns do que se possa imaginar.

O princípio das ondas submarinas é o mesmo das correntes de ar.

No céu, quando o vento passa sobre uma colina íngreme, o ar é empurrado para cima, em um movimento contrário ao da gravidade.

Mas, ao ser superado o obstáculo, a gravidade volta a agir e o movimento torna-se inverso, acelerando o ar para baixo.

É o que acontece também no mar.

“Ondas internas” ocorrem quando os movimentos mais intensos das marés passam por grandes obstáculos no fundo do mar.

Mas só ganham dimensões realmente relevantes quando isso acontece em áreas onde há grande variação na densidade da água (leia-se temperatura e salinidade), entre a superfície e as partes mais profundas.

Quando essa “turbulência submarina” rompe a divisão das águas com diferentes densidades, surge uma “onda interna”.

E quando essa onda se superpõe a outras, acumulando toda a energia em uma só onda, que gera um fortíssimo movimento circular submerso, surge uma onda solitária interna – que é bem mais forte do que as ondas internas convencionais.

Ao que tudo indica, foi o que atingiu o submarino indonésio, que foi encontrado quatro dias depois, no fundo do estreito da ilha de Bali.

No mesmo dia e horário em que o submarino indonésio desapareceu dos sonares, um satélite meteorológico japonês havia detectado a presença de movimentos de ondas internas na região onde ocorreu a tragédia.

Não era, contudo, nenhum fato raro, porque toda aquela região, com intenso fluxo de água entre os oceanos Pacífico e Índico, e fundo marinho bastante acidentado, sempre foi propícia a formação desse tipo de ondulações desse tipo – que, por sinal, em menor escala, frequência e intensidade, acontece em todos os mares do mundo.

Ali, no entanto, o fenômeno é particularmente bem mais comum e intenso, fruto da combinação de grandes marés com altas montanhas submersas, que potencializam os efeitos das “ondas internas”.

“O mar da Indonésia concentra cerca de dez por cento das marés mais enérgicas do planeta”, atesta a oceanógrafa Bernadette Sloyan, do Instituto Oceânico e Atmosférico do Austrália, que fica ali perto.

“E isso gera constantes instabilidades entre a superfície e as partes mais profundas, por conta das diferentes densidades em diferentes camadas de água”.

Na região, o fenômeno costuma ocorrer mais de uma vez por mês.

E, para azar dos submarinistas indonésios do KRI Nanggala-402, pode ter ocorrido justamente quando eles estavam submergindo, não permitido uma reação a tempo.

Quando muito intensa, uma onda solitária interna, que cumpre movimentos circulares, leva para o fundo tudo o que encontra pela frente.

Uma delas pode ter provocado a descida acelerada e descontrolada do submarino, fazendo-o submergir muito mais do que poderia, o que gerou o colapso da sua estrutura, pelo aumento da pressão no fundo do mar.

Ao serem encontrados, os destroços do submarino indonésio estavam fragmentados em três partes, a 853 metros de profundidade – bem mais fundo do que ele fora projetado para suportar.

Embora esse possa não ter sido o único motivo (geralmente, grandes acidentes são causados por uma fatal combinação de erros ou fatores), é, até hoje, o que melhor explicou o naufrágio do KRI Nanggala-402, já que, segundo a Marinha da Indonésia, ao submergir, ele não mostrou nenhum indício de perda de energia ou pane elétrica a bordo, como inicialmente havia sido apontado como sendo a causa do desastre.

Na ocasião, as autoridades também negaram que o acidente pudesse ter sido consequência da idade avançada do submarino, que fora construído 40 anos antes, ou com a precariedade na sua manutenção, já que a última grande revisão pela qual ele passou aconteceu em 2012.

Embora o motivo oficial do acidente permaneça incerto até hoje, tudo indica que a participação de uma gigantesca onda solitária interna tenha sido determinante naquela tragédia.

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O barco que foi parar no teto da casa e virou atração turística

O barco que foi parar no teto da casa e virou atração turística

Quando um violento tsunami atingiu a Indonésia, em 2004, um barco de 25 metros de comprimento, levado pela inundação, foi parar em cima da casa da indonésia Fauziah Basyariah, na região de Banda Aceh, uma das mais afetadas pela tragédia.

Mas o que poderia ser o prenúncio de outra tragédia (o desmoronamento da casa causado pelo peso do barco) acabou sendo a salvação de Fauziah, da sua família e de um grupo de vizinhos, que ali haviam buscado abrigo contra a inundação – um total de 59 pessoas.

Ao perceber que o barco encalhara exatamente sobre sua casa, já então também tomada pelas águas, ela abriu um buraco no forro de madeira e mandou todos passarem para o telhado e embarcar no próprio barco – que permaneceu milagrosamente “ancorado” no teto da casa até o nível das águas baixaram.

E ali ele ficou até hoje, agora transformado em atração turística na cidade.

Virou a Arca de Noé do tsunami da Indonésia.

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O que pode ter acontecido com o casal no mar de Angra do Reis? O mistério continua

O que pode ter acontecido com o casal no mar de Angra do Reis? O mistério continua

Vinte dias atrás, no final da tarde de domingo, 22 de agosto, o casal carioca Cristiane Nogueira da Silva, de 48 anos, e Leonardo Machado de Andrade, de 50, embarcaram na traineira Novo Milênio I, que pertencia a ele, e partiram, só os dois, da Praia da Longa, na Ilha Grande, no litoral sul do Rio de Janeiro, para apreciar o pôr do sol na vizinha Lagoa Verde, a pouco mais de um quilômetro de distância.

E desapareceram – bem como o barco no qual estavam.

Nove dias depois, o corpo de Cristiane surgiu em uma parte erma da Baía de Mangaratiba, a quilômetros de distância do ponto para o qual supostamente haviam partido, assim como dois itens que pertenciam ao barco, mas em áreas opostas – o que, juntamente com um intrigante foguete sinalizador avistado na região na noite seguinte ao desaparecimento, deu ao caso ares de mistério.

Embora a causa mais provável seja a de um simples naufrágio, outras hipóteses ainda estão sendo consideradas pela polícia.

Ao longo de mais de duas semanas, a Marinha vasculhou toda a região, que é bem grande, já que mais de 50 quilômetros de mar separam a Lagoa Verde da baía da Marambaia, onde o corpo de Cristiane foi encontrado.

E tudo o que foi encontrado foi uma janela e duas boias do barco, boiando no mar.

Só que em locais opostos, o que confundiu ainda mais as buscas pelo barco supostamente afundado.

A janela, segundo a polícia, foi encontrada na Lagoa Verde, na Ilha Grande – um claro indicativo da área onde a traineira teria afundado.

Já as duas boias apareceram na baía de Marambaia, área oposta à da lagoa, mas a mesma onde apareceu o corpo de Cristiane, e aparentemente pelo mesmo motivo: a influência da correnteza, que teria arrastado corpo e boias da Ilha Grande para lá – algo bem comum de acontecer na região.

Para complicar ainda mais as buscas pelo barco, no início da noite do dia seguinte ao desaparecimento do casal, um grupo de amigos filmou o disparo de um foguete sinalizador, equipamento náutico usado para pedir socorro no mar, na região da Marambaia.

Aquele foguete poderia ter sido disparado do barco do casal, como um pedido de socorro.

Embora o autor do vídeo diga que entrou em contato com os Bombeiros para avisar sobre o estranho sinal, aparentemente, na mesma noite, nenhuma busca na região foi feita.

“A polícia só foi para lá dias depois, quando o corpo da Cristiane apareceu”, lamenta a ex-esposa de Leonardo, Vanessa Morett, com que o casal mantinha um bom relacionamento.

No entanto, não há como relacionar o disparo do tal foguete com o barco do casal – pode ter sido um disparo acidental ou brincadeira vinda de outro barco, já que não são raros os donos de embarcações que usam erradamente aquele tipo de sinalizador como foguetes de comemoração.

Além disso, como explicar que a janela do barco tenha sido encontrada a dezenas de quilômetros de lá, na Lagoa Verde, no sentido contrário ao da correnteza?

Ainda assim, a divulgação do foguete sinalizador, que só pipocou nas redes sociais dias depois, levou a polícia e a Marinha a ampliar as buscas pelo barco em muitos quilômetros quadrados, aumentando também as chances de não encontrá-lo – porque, quanto maior for a área, mais difícil fica o trabalho.

“Achar o barco é fundamental”, sempre disse o delegado encarregado do caso, Vilson de Almeida Silva, da 166ª Delegacia Policial de Angra dos Rei. “Só a partir dele será possível entender o que aconteceu com o casal. Se é que o barco afundou de fato…”

Já a segunda dúvida que paira sob a hipótese de naufrágio é por que o corpo de Cristiane não estava com um colete salva-vidas quando foi encontrado, uma vez que vestir este equipamento costuma ser a primeira providência em casos desse tipo – sobretudo para alguém tão atento às questões de segurança, quando a primeira esposa garante que era o ex-marido.

Para reforçar este argumento, uma foto da traineira usada pelo casal mostrava claramente muitos coletes salva-vidas armazenados debaixo da cobertura do convés, além de duas boias salva-vidas penduradas na lateral da cabine – as mesmas que, depois, foram encontradas boiando nas águas da baía de Marambaia.

Por que aqueles equipamentos de segurança não foram usados pelas vítimas no eventual naufrágio?

Uma das hipóteses é que o naufrágio tenha sido tão fulminante que não houve tempo para nada, o que também invalidaria o disparo do tal foguete sinalizador.

Outra, é que as duas boias encontradas no mar tenham se desprendido naturalmente do barco quando ele afundou, já que elas estavam apenas penduradas na lateral da

A possibilidade de haver uma relação direta entre o disparo do foguete sinalizador e o barco do casal, 24 horas depois do desaparecimento deles, só se explicaria se a embarcação tivesse tido algum problema (quebra do motor ou inundação parcial – o que explicaria aquela janela encontrada no mar…), e ficasse à deriva durante toda a noite e também ao longo do dia seguinte inteiro, sendo levada pela correnteza, na direção da baía de Marambaia.

No entanto, logo no dia seguinte ao desaparecimento do casal, um helicóptero sobrevoou a região e não encontrou nenhum sinal da traineira – que não poderia ter ido tão longe, em tão pouco tempo, levada apenas pela correnteza.

Além disso, é pouco provável que outro barco não tivesse visto a traineira à deriva, durante todo o dia, em uma das áreas mais movimentadas da região.

A menos que o barco do casal já não estivesse mais na superfície – o que, no entanto, eliminaria de vez a relação dele com aquele foguete, na noite de segunda-feira.

Ou, então, que o foguete não estivesse no barco e sim com um dos náufragos no mar…

Além da hipótese de naufrágio instantâneo, causado por algum acidente – tese defendida pela maioria das pessoas –, também não foi descartada a possibilidade de o casal ter sido vítima de um assalto e roubo do barco no mar, embora o corpo de Cristiane não apresentasse lesões.

Até porque, antes de sair de casa, Leonardo teria confidenciado a um amigo vizinho que, após assistir ao pôr-do-sol, pretendia “namorar” um pouco no barco, ou seja, já na parte da noite.

Isso pode ter deixado o casal desatento, além de levá-los para o interior da cabine, sem, portanto, visão externa de uma eventual movimentação ao redor do barco – situação na qual poderiam ser facilmente dominados por ladrões.

A tese de assalto seguido de latrocínio também explicaria por que o corpo de Cristiane fora encontrado sem um colete salva-vidas, equipamento que o barco tinha em profusão.

Mas é contraditória com as duas boias encontradas no mar – que ladrão lançaria boias para as vítimas que jogara ao mar?

Tão logo o desaparecimento do casal foi noticiado, o filho de Cristiane, Guilherme Brito, recebeu ligações de supostos sequestradores, que diziam estar com as duas vítimas e pediam resgate.

Mas era golpe: bandidos estavam se aproveitando do desespero da família para tentar extorquir dinheiro.

Embora a hipótese de o casal ter sido vítima de assalto, seguido de roubo do barco e arremesso deles ao mar, não tenha sido descartada pela polícia, o surgimento das duas boias enfraqueceu esta tese – e reforçou ainda mais a de um simples naufrágio.

Ou, então, a de um golpe muito bem arquitetado…

Cristiane e Leonardo vinham ensaiando uma reconciliação há tempos, após dois anos separados de uma união que durara mais de oito.

Foi com esse intuito que o casal decidiu passar um fim de semana junto, na mesma na praia onde Leonardo vinha morando, desde que deixara o Rio de Janeiro.

Cristiane veio, então, de Salvador, onde estava morando, para encontrar o ex-companheiro, com quem vinha mantendo um bom relacionamento à distância.

Se algo aconteceu entre eles na noite do desaparecimento, não se sabe.

Mas câmeras de segurança da casa mostraram os dois saindo, para embarcar no barco, no final da tarde do dia em que desapareceram, em perfeita harmonia.

“De jeito algum acredito em crime passional ou feminicídio”, garante a ex-esposa Vanessa. “O Leonardo jamais foi violento”.

Ainda assim, a polícia também não descarta a hipótese de Cristiane ter sido vítima do ex-companheiro.

Segundo esta linha de raciocínio, ele poderia tê-la jogado ao mar antes de fugir com o barco, e simular o naufrágio – neste caso, a janela e as duas boias encontradas no mar fariam parte de uma encenação.

Ou, então, de ter intencionalmente provocado o naufrágio com ela dentro do barco.

Isso explicaria por que o corpo de Leonardo ainda não foi encontrado, bem como o barco – embora, casos desse tipo não sejam nada raro de acontecer no mar.

O fato de os documentos e celular de Leonardo não terem sido encontrados na casa (ao contrário dos de Cristiane), levou a polícia a pedir a quebra do sigilo telefônico e rastreio do aparelho dele.

Mas nada ainda foi provado.

“Não se trata de acusar uma vítima, mas é preciso investigar todas as possibilidades”, argumenta a polícia, que ainda não tem a menor ideia do que realmente aconteceu com o casal, no mar de Angra dos Reis.

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Os pescadores brasileiros que viraram vítimas de um submarino alemão na Segunda Guerra Mundial

Os pescadores brasileiros que viraram vítimas de um submarino alemão na Segunda Guerra Mundial

Quando o barco pesqueiro brasileiro Changri-Lá partiu do porto do Rio de Janeiro para mais uma habitual temporada de pesca na região de Cabo Frio, em 28 junho de 1943, o Brasil já estava em guerra contra a Alemanha nazista havia quase um ano.

Mas, exceto pelos costumeiros pedidos da Marinha para que os pescadores ficassem atentos a eventuais aparições de submarinos nazista na costa brasileira – e comunicassem o fato às capitanias -, não havia motivos para preocupações.

Afinal, o Changri-Lá era um simples barco de pesca, com casco de madeira de menos de 10 metros de comprimento, que não oferecia o menor risco – ou interesse – aos inimigos.

Pelo menos era o que todo mundo pensava.

A começar, pela própria tripulação do barco, todos humildes pescadores.

Por conta do mar agitado, a travessia até a Região dos Lagos, no litoral norte do Rio de Janeiro, foi lenta e cansativa, o que levou o mestre do pesqueiro, José da Costa Marques, a fazer uma parada não prevista em Arraial do Cabo, a fim de esperar que o tempo melhorasse.

Uma semana depois, em 4 de julho, o Changri-Lá partiu novamente, acrescido de mais quatro pescadores locais, que substituíram um dos tripulantes, Gabriel Soares Cardoso, que desembarcou por ter torcido o tornozelo – e, mais tarde, ele daria graças a Deus por isso.

Com nove homens a bordo, mais o filho do mestre, de 17 anos de idade, o Changri-Lá foi para o mar, tomou o rumo de um famoso pesqueiro da região, a algumas milhas da costa, e por lá ficou, até o dia 22, quando tudo aconteceu.

Naquele dia, os infelizes pescadores viram um grande submarino emergir bem ao lado deles e, sem nenhum aviso, abrir fogo.

Primeiro, com uma metralhadora.

Depois, com um canhão de 105 milímetros, que foi disparado sete vezes contra o indefeso pesqueiro.

Era o U-199, um submarino alemão comandado pelo tenente Hans Werner Kraus, à época com apenas 28 anos de idade.

Os dez pescadores foram sumariamente fuzilados e afundaram junto com o barco.

Seus corpos jamais foram encontrados.

Como, naquela época, as comunicações no mar eram bem precárias, especialmente em um simples barco de pesca, ninguém em terra firme ficou sabendo do ocorrido.

Só quando pedaços do barco começaram a chegar às praias da região (entre eles, restos de madeira estranhamento chamuscados) é que ficou claro que o Changri-Lá havia afundado.

Mas isso foi creditado a alguma tempestade, ou ao mar revolto, como registrado pela própria Capitania dos Portos da região no precário inquérito aberto, que sequer se atentou aos detalhes dos escombros, que continuaram chegando às praias da região.

Como aquele pedaço de madeira chamuscada, sinal claro de que não havia sido um simples naufrágio.

O inquérito, que também ignorou que um submarino alemão fora visto na entrada da Baía de Guanabara dias antes do desaparecimento do pesqueiro, concluiu que o sumiço do Changri-Lá e seus dez ocupantes fora uma tragédia natural gerada pelo mar, e a decisão foi aceita, com resignação, pelos familiares das vítimas – entre elas, a esposa do mestre do barco, que perdeu marido e filho.

Um ano depois, o processo foi arquivado pelo Tribunal Marítimo do Rio de Janeiro e esquecido.

Quando isso aconteceu, o próprio submarino que causara o desaparecimento do Changri-Lá também já havia deixado de existir, bem como a maior parte dos seus tripulantes.

Em 31 de julho de 1943, menos de dez dias após mandar pelos ares o barco de pesca brasileiro e todos os seus ocupantes, o U-199 foi detectado, bombardeado e afundado por um avião da Força Aérea Brasileira, logo após ter feito outra vítima em águas brasileiras, o cargueiro inglês Henzada.

O submarino afundou em menos de três minutos, mas 12 dos seus 61 tripulantes sobreviveram, entre eles o próprio comandante Kraus, graças aos botes infláveis que o próprio avião que os atacou lançou ao mar – um gesto humanitário que os pobres pescadores brasileiros do Changri-Lá não tiveram direito.

Em seguida, os tripulantes sobreviventes do U-199 foram resgatados e enviados aos Estados Unidos, como presos de guerra.

E foi lá que o capitão Hans Werner Kraus confessou o ataque ao pesqueiro brasileiro, durante um interrogatório, justificando o ato com dois argumentos: o de que precisava aferir e calibrar os armamentos do submarino (que, recém-lançado ao mar, ainda não havia feito nenhuma vítima), e, ao mesmo tempo, impedir que os pescadores comunicassem a presença do submarino alemão em águas cariocas, como sabiam que as autoridades brasileiras haviam pedido que todos os navegantes da região fizessem.

Mas a confissão dos alemães ficou confinada nos arquivos dos Estados Unidos e jamais foi comunicada oficialmente ao governo brasileiro, que continuou aceitando a tese de que o Changri-Lá afundara por obra da natureza.

Contribuiu para a confusão o fato de o comandante do submarino ter classificado o barco brasileiro como um “veleiro”, e não um barco de pesca, já que vira uma vela pelo periscópio, antes de atacá-lo.

Mas o que nem ele nem os americanos sabiam é que, para ganhar desempenho no mar, os pescadores do litoral norte do Rio de Janeiro tinham o hábito de adaptar uma vela na proa dos seus barcos, o que causou o mal-entendido.

Este fato e todos os desdobramentos dele só vieram à tona mais de 50 anos depois, quando, no final da década de 1990, o governo americano liberou a consulta aos arquivos militares da Segunda Guerra Mundial, e um historiador particular, o carioca Elísio Gomes Filho, que já suspeitava que o naufrágio do Changri-Lá poderia ter relação com o submarino alemão afundado dias depois, resolveu investigar os documentos da época.

Após ler o depoimento/confissão do comandante alemão, Elísio pressionou – e conseguiu – que o Tribunal Marítimo Brasileiro reabrisse o caso.

Em 2001, veio a correção e o veredito sobre o desaparecimento do pesqueiro foi alterado, para “ato de guerra”.

Suas dez vítimas ganharam também o direito de fazer parte do Panteão dos Heróis, no monumento aos Mortos da Segunda Guerra, no Rio de Janeiro.

Com base na confissão do comandante alemão e na revisão do veredito do Tribunal Marítimo, parentes de algumas das vítimas decidiram processar o governo da Alemanha por crime de guerra, uma ação inédita, que se arrasta até hoje nos corredores da Justiça brasileira.

Porque, para eles, de injustiça, bastaram os mais de 50 anos que o afundamento do Changri-Lá por um submarino alemão passaram esquecidos.

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O cinquentão que trucidou o recorde da volta ao mundo à vela

O cinquentão que trucidou o recorde da volta ao mundo à vela

O americano Dodge Morgan sempre cultivou o sonho de dar a volta ao mundo velejando.

Em 1985, aos 53 anos, depois de ficar rico com uma empresa de detectores de radares, ele decidiu vender o negócio, encomendar um bom barco, que batizou de American Promise, e partir em busca do seu objetivo: tornar-se o homem a dar a volta ao mundo pelo mar mais rápida da História.

Para tanto, Morgan decidiu que navegaria sozinho e não faria nenhuma parada no caminho.

Até então, o recorde do gênero pertencia ao inglês Chay Blyth, que, entre 1970 e 1971, dera a volta ao mundo, também em solitário e sem escalas, em 292 dias, navegando no sentido Leste.

Já Morgan pretendia fazer o mesmo em apenas 180 dias, navegando no sentido oposto, ou seja, Oeste, direção na qual a predominância dos ventos é mais favorável a circum-navegação do planeta.

Mesmo assim, todos duvidaram que ele conseguiria atingir tal marca, porque ela representava 100 dias a menos que o recorde vigente.

Mas, quando Morgan completou sua jornada, na mesma cidade de onde partiu, em novembro de 1985, ele não só trucidou o antigo recorde como rodeou o planeta inteiro em apenas 150 dias, um mês a menos do que ele próprio pretendia, o que o transformou numa espécie de herói da vela americana.

Satisfeito com o seu feito, ele, então, vendeu o barco e comprou uma pequena ilha na costa do Maine, onde viveu, sozinho, até morrer, de câncer, em 2010.

Quando isso aconteceu, o seu espetacular recorde já havia sido pulverizado.

Mas por velejadores bem mais jovens do que o velho e audacioso Dodge Morgan.

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Procuravam um avião, acharam um navio

Procuravam um avião, acharam um navio

Na madrugada de 8 de março de 2014, um avião Boeing 777, da empresa Malaysia Airlines, que fazia o voo MH 370, entre a Kuala Lumpur, na Malásia e Pequim, na China, com 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo, desapareceu nas águas do sul do Oceano Índico, a milhares de quilômetros da sua rota original.

O que levou aquele avião a desviar completamente da sua rota e voar sem parar até esgotar o combustível (o que, depois, ficaria comprovado, porque satélites mostraram que mais de duas horas após o horário em que o avião deveria ter pousado na China, ele continuava voando, no rumo oposto, sob a imensidão do oceano, rumo ao fim) é, até hoje, um dos maiores enigmas da história da aviação.

As maiores suspeitas recaíram sobre o comandante da própria aeronave, que poderia ter planejado um doentio suicídio coletivo, ou um autoatentado, a fim de protestar contra o governo malaio.

Mas isso jamais foi comprovado.

Nem jamais será, até porque o avião nunca foi encontrado no fundo do mar – apesar das intensas buscas, que, na época, mobilizaram meio mundo.

Uma das maiores expedições em busca do avião desaparecido aconteceu semanas após a catástrofe, quando uma equipe de resgate especialmente treinada vasculhou com afinco uma área específica – e esquecida – do Índico, onde os satélites registraram os últimos sinais vindos do avião errante, a centenas de quilômetros da costa da Austrália.

Logo nos primeiros dias de buscas, o sonar de um dos barcos da equipe detectou a presença de metais no fundo do mar, a 4 000 metros de profundidade.

A descoberta deixou os pesquisadores animados e um robô submarino desceu para averiguar o que havia naquele local.

E, de fato, havia algo ali.

Mas não os restos do avião e sim um barco afundado, que, pelo estado e tipo de casco, deveria estar submerso há mais de um século.

Que barco fora aquele, já que não havia nenhum registro de naufrágio na região?

Nunca se soube, porque, como o objetivo era encontrar o avião, ninguém aprofundou as pesquisas.

“Foi fascinante achar um navio até então desconhecido no fundo mar, mas não era o que estávamos procurando”, explicou o responsável pela equipe de resgate, justificando porque mandou o robô retornar a superfície sem registrar maiores detalhes da embarcação, e foi em frente, em busca do avião,

Que, por sinal, também não encontrou.

Nem tampouco voltou, depois, para explorar melhor o único achado daquela expedição.

Foi um desperdício de oportunidade.

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