A tartaruga que mudou a história

A tartaruga que mudou a história

Em abril de 2025, uma tartaruga macho da espécie cabeçuda que havia passado 38 anos dentro de um aquário na cidade de Mendoza, na Argentina – onde foi batizada “Jorge” -, foi devolvida ao mar em uma baía do sul da Argentina, a mesma onde havia sido capturada, quase quatro décadas antes.

E, para a alegria dos especialistas que tinham participado do seu processo de readaptação à vida marinha, logo retomou os hábitos normais da sua espécie.

Entre eles, o de migrar para a costa do Brasil, local de origem daquele animal, que já somava cerca de 60 anos de idade, sendo os últimos 40 deles em cativeiro.

Foi um caso inédito de reintrodução bem-sucedida de um animal na natureza após tanto tempo privado do seu habitat natural.

O comportamento de Jorge, que saiu nadando na direção do Brasil tão logo foi devolvido ao mar na distante Argentina (já que as tartarugas sempre retornam à mesma região onde nasceram), deixou os monitores eufóricos.

Era uma prova de que aquele animal não havia perdido os seus instintos, mesmo após tanto tempo confinado em um aquário.

Da Argentina, Jorge cruzou o Uruguai e chegou ao Brasil, onde, seguindo as correntes marítimas de águas mais quentes, subiu a costa brasileira, na direção da Bahia, onde se supôs que tenha nascido, mais de meio século antes.

Portanto, Jorge estava apenas cumprindo o ciclo migratório natural da sua espécie, mesmo após tanto tempo em cativeiro.

A reintrodução no mar da tartaruga Jorge foi um caso único no mundo, mesmo entre todas as espécies animais do planeta.

Nunca uma tartaruga que havia passado tanto tempo em um aquário voltara a viver livre no mar, sem sequelas, como Jorge fez.

Durante semanas, os técnicos monitoraram o deslocamento daquela tartaruga, até que (como previsto) a bateria do transmissor acabou, e eles perderam contato com o animal para sempre.

Mas, longe se ser algo ruim, isso apenas determinou que a operação de reintrodução daquela tartatuga (feita a partir de um abaixo-assinado firmado por 60 000 pessoas e aplicado de forma lenta e gradual, sem nenhuma pressa, como costumam acontecer nos casos de grande clamor popular, quando o deseje é ver o animal ser solto rapidamente) fora, tecnicamente, bem-sucedida.

Nunca mais se teve notícias de Jorge.

E isso foi uma ótima notícia.

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Um crime em família no mar

Um crime em família no mar

Era o meio da manhã de 26 de setembro de 2016, quando um dos oficiais do navio cargueiro Oriente Lucky avistou uma balsa salva-vidas à deriva, de onde partiam foguetes sinalizadores.

Se estivesse perto da costa, ele apenas pegaria o rádio e informaria o achado à Guarda Costeira, para que ela providenciasse o resgate, já que não é nada fácil deter o avanço de um navio em movimento, muito menos manobrá-lo até chegar próximo de um náufrago.

Mas ali onde estavam, a mais de 100 milhas da costa de Massachusetts, qualquer resgate vindo de terra firme demoraria muito.

E, talvez, quando chegasse, já fosse tarde.

Após refletir por alguns segundos, o oficial deu ordem para o navio reduzir a marcha e começar a dar voltas, cada vez menores, até se aproximar lentamente da balsa.

A manobra levou quase meia hora, mas se justificava.

Dentro da balsa, havia um jovem americano de 22 anos, chamado Nathan Carman, em bom estado de saúde e com bom estoque de água e comida, que dizia estar à deriva há oito dias, desde que sua lancha afundara, a caminho de uma pescaria.
Mas o pior – ele contou em seguida – é que Nathan não estava sozinho na lancha, quando ela afundou.

Junto com ele, estava sua mãe, Linda Carman, que, no entanto, de acordo com o que Nathan disse aos seus socorristas, não sobreviveu ao naufrágio.

Sensibilizados com o drama daquele jovem, os marinheiros do cargueiro o acolheram, deram roupas, comida, uma cabine, e comunicaram o fato à Guarda Costeira, que foi ao encontro do navio e levou Nathan para terra firme – onde a Polícia já o aguardava para um interrogatório, já que, afinal, uma pessoa havia morrido no suposto naufrágio.

Era, no entanto, verdade.

A lancha de Nathan, batizada Chicken Pox (“Catapora”, em português), havia de fato afundado, como ficaria comprovado mais tarde, quando nenhum vestígio do barco foi encontrado.

Mas o que causava certa estranheza naquela história era o desaparecimento da mãe do rapaz.

Por que ela também não teria passado para a balsa salva-vidas, quando ficou claro que a lancha estava afundando?

Se ela foi parar no mar, quando a lancha afundou, por que o filho não a resgatou?

E por que o corpo dela nunca apareceu?

Foram algumas das perguntas que jamais tiveram uma resposta conclusiva.

Ao chegar à terra firme, Nathan foi recebido por um único membro da família, o que soou um tanto estranho à Polícia.

Mas, como ele estava bem de saúde (outro fato incomum para quem tinha acabado de passar oito dias à deriva no mar, com as habituais limitações de água e comida que esse tipo de situação costuma impor às vítimas), foi liberado para ir para casa, onde passou a noite sozinho, sem a companhia de nenhum familiar – algo também um tanto incomum, frente à uma situação tão traumática.

No dia seguinte, Nathan foi novamente procurado pela Polícia.

Após investigar na marina de onde ele partira, os policiais descobriram que Nathan havia feito algumas alterações na seguranca de sua lancha, dias antes de sair para pescar com a mãe.

Entre elas, a remoção das placas estabilizadoras do casco, algo que praticamente ninguem faz, porque compromete seriamente a capacidade de navegação do barco.

Além de ter feito alguns pequenos furos no casco.

A Polícia também descobriu que Nathan já havia entrado com um pedido de ressarcimento na seguradora do barco, e que havia apagado todos os arquivos do computador que tinha em casa.

Mas o mais determinante para aumentar as suspeitas de que aquela história poderia não ter sido do jeito que ele contara, foi que uma breve pesquisa no banco de dados da Polícia revelara que Nathan Carman já havia sido investigado em outro caso de assassinato, envolvendo sua própria família.

Em 2013, ele fora considerado o principal suspeito de matar o avô, John Chakalos, pai de sua mãe, com um tiro de espingarda, enquanto dormia, após ter jantado com ele na noite anterior.

O motivo do assassinato teria sido a herança que Chakalos, um bem sucedido incorporador imobiliário em Connecticut, deixaria para os herdeiros.

Entre eles, Nathan e sua mãe.

Apesar de todas as evidências, e de acusações da própria família, Nathan, que era portador de Síndrome de Asperger, um estado do espectro autista, não foi considerado culpado pela justiça, e teve o direito de receber sua parte na herança deixada pelo avô: pouco mais de meio milhão de dólares – que  ele rapidamente gastou, comprando, entre outras coisas, uma lancha para pescar: a mesma que usaria para sair com sua mãe naquele 18 de setembro de 2016, quando sua conta bancária já dava sinais de esgotamento.

O que realmente aconteceu naquela noite no mar, só mesmo Nathan poderia dizer.

Mas ele contou apenas que a lancha começou a encher de água muito rapidamente, quando estavam “a cerca de 20 milhas da costa” – bem menos do que o local onde fora resgatado, em alto mar, onde a profundidade, bem maior, era convenientemente para inviabilizar o resgate do barco para averiguações.

Também disse que era noite e que chamou pela mãe diversas vezes, quando já estava na balsa.

Mas, segundo ele, ela não respondeu.

A Policia jamais acreditou nesta versão, preferindo crer que Nathan matara a mãe com uma arma de fogo (como fizera com o avô, três anos antes), e trancara o corpo dela dentro da cabine, para que afundasse junto com o barco e jamais voltasse à superfície.

Em seguida, ele teria abastecido a balsa salva vidas com bastante água e comida – além de foguetes sinalizadores -, para que que não passasse necessidades, durante a espera por um resgate.

Com base nisso, Nathan foi preso, acusado de fraude e assassinato, com o intuito de se apoderar da herança deixada pela mãe, que recebera bem mais que ele pela morte do avô.

Mas, perante o juiz, na sua primeira audiência, declarou inocência. Foi, então, mantido preso, até que fosse julgado, o que aconteceria em outubro de 2023.

Mas o julgamento não aconteceu.

Três meses antes de ir a júri popular, Nathan Carman foi encontrado morto na cela que ocupava, sozinho, em uma penitenciária de New Hampshire.

A causa da morte foi suicídio – o que não deixou se der uma explícita admissão de culpa por um crime bárbaro, que ninguém nunca duvidou que ele não tivesse cometido.

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