O navio que decidiu o destino dos seus tripulantes

O navio que decidiu o destino dos seus tripulantes

Na manhã de 21 de julho de 1939, o Windhuk, na época um dos melhores transatlânticos alemães, partiu do porto de Hamburgo com destino à África, com cerca de 400 passageiros e perto de 250 tripulantes a bordo, todos alemães.

A viagem estava prevista para durar 60 dias, mas o navio jamais retornaria. Nenhuma tragédia, no entanto, aconteceu naquela viagem. Ao contrário, ela teve um final feliz para todos os tripulantes do navio, mesmo tendo o Windhuk ido parar do outro lado do Atlântico, no porto brasileiro de Santos, cinco meses depois.

Tudo começou em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha invadiu a Polonia, dando início a Segunda Guerra. Naquela data, o Windhuk estava atracado no porto da Cidade do Cabo, na África do Sul. Lá, ele recebeu a ordem de retorno imediato à Alemanha.

Todos os passageiros desembarcaram e só ficaram a bordo os tripulantes. Mas como o navio estava com pouco combustível, eles não puderam ir longe. Logo, o Windhuk parou em um porto de Angola, em busca de suprimentos. Mas levou dois meses para conseguí-los.

Naquelas alturas, a navegação para um navio com bandeira alemã já estava bem difícil. Navios ingleses patrulhavam a costa africana com intensidade e a única saída foi o Windhuk atravessar o Atlântico, em busca de abrigo em um país neutro no conflito. Foi quando veio a ideia de navegar até o porto de Santos, na costa do Brasil.

O Windhuk chegou ao porto brasileiro em 7 de dezembro de 1939, data que, até hoje, é comemorada pelos descendentes daqueles tripulantes, todos inocentes garçons, camareiros, engenheiros e marinheiros, em nada envolvidos com a guerra.

Como o Brasil ainda nada nutria contra a Alemanha, nada aconteceu com eles. Apenas o navio ficou retido, como era praxe nos tempos de guerra.

Para os 244 tripulantes do Windhuk, a nova e tranquila vida em Santos passou a ser uma espécie de prêmio inesperado. Alguns começaram a namorar garotas da cidade. Outros, até se casaram. Em Santos, eles ficaram mais de dois anos, em total harmonia com os moradores locais.

Até que, com a entrada do Brasil na guerra, todos os tripulantes do Windhuk foram presos e enviados para um “campo de internação”, como foram chamados os campos de concentração em território brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, em Pindamonhangaba, no interior do estado de São Paulo.

Neles, a despeito de ser uma espécie de penitenciária, os tripulantes alemães do navio seguiram gozando quase a mesma liberdade de antes, já que não representavam perigo algum ao país.

Criavam galinhas, ordenhavam vacas, jogavam futebol, cozinhavam e até saiam para fazer compras na cidade. De “presidiários”, aqueles mais de 200 alemães boas-praças não tinham nada.

Quando a guerra terminou, em 1945, o governo brasileiro, sem saber o que fazer com aquele grupo, deu aos marinheiros alemães duas opções: voltar para a Alemanha ou ficar de vez no Brasil, com direito a cidadania. Praticamente todos escolheram a segunda opção.

Eles, então, se espalharam por cidades de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e foram trabalhar em diversas áreas. Aqui, constituíram famílias e nunca mais quiseram sair. Passaram a ser “os alemães do Windhuk”, que viraram brasileiros por opção e coração.

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