O atol de Chuuk, na Micronésia, antiga base naval do Japão na Segunda Guerra Mundial, tem uma das maiores concentrações de navios naufragados do mundo.
E foi apelidado de “Cemitério do Pacífico”.
Por um único motivo: entre os dias 17 e 18 de fevereiro de 1944, os americanos atacaram de surpresa a base japonesa que funcionava na ilha (uma espécie de retaliação tardia ao ataque japonês a Pearl Harbour) e puseram a pique 63 navios e mais de 250 aviões de combate, que tentaram, em vão, deter os ataques do que ficou conhecido como operação Hailstone, ou “Chuva de Granizo”, tal a quantidade de bombas lançadas sobre os japoneses.
Entre os navios afundados, todos encurralados dentro do atol, havia grandes naves de guerra da Marinha Imperial japonesa, cargueiros repletos de armamentos e suprimentos e até submarinos.
Com o fim da guerra, as águas de Chuuk, coalhadas de lembranças daquele conflito, viraram um dos destinos prediletos dos mergulhadores apreciadores de naufrágios, que, até hoje, se impressionam com o que encontram debaixo d´água – tanques, caminhões, munição, até ossadas de marinheiros japoneses mortos naqueles dois dias de ataques.
Um naufrágio em particular chama atenção, não tanto pelo navio em si, um ex-transatlântico convertido em barco de apoio a submarinos, mas sim por parte da carga que ele transportava: muitos engradados de garrafas de cerveja, que, apesar de décadas debaixo d´água, ainda estão intactas.
Para os mergulhadores brasileiros que visitam o santuário submerso de navios do arquipélago (também conhecido como “Truk”, por conta da dificuldade de alguns estrangeiros em pronunciar o nome correto), há outra peculiaridade envolvendo aquele naufrágio: o navio em questão chamava-se Rio de Janeiro Maru, assim batizado porque ajudou a trazer muitos imigrantes japoneses para o Brasil, na década de 1930.
É bem possível que muitos descendentes de japoneses que hoje vivem no Brasil tenham chegado ao país naquele navio, que hoje atrai mergulhadores do mundo inteiro por sua história, tamanho e, especialmente, aquelas garrafas de cerveja – embora seja proibido retirar qualquer coisa do fundo do mar da lagoa de Chuuk.
Duas destas famílias, inclusive, decidiram homenagear o navio que trouxe seus antecedentes para o Brasil lançando aqui uma cerveja chamada Rio de Janeiro, que embora não seja a mesma que estava no navio sinistrado, utiliza os mesmos ingredientes.
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