Em 11 de maio de 1819, uma flotilha composta por quatro naus espanholas partiu do porto de Cádiz com destino a Callao, no Peru, onde tentaria combater o movimento de independência da ex-colônia.

Uma daquelas naus era a San Telmo, onde, além do líder da flotilha, Rosendo Porlier y Asteguieta, viajavam 644 homens.

Mas a San Telmo jamais chegou a lugar algum. Ou, se chegou, nunca soube exatamente onde, o que, no entanto, poderia mudar completamente a história do descobrimento de um continente inteiro: a Antártica.

Como era hábito na precariedade da época, as quatro naus foram separadas pelas tormentas e, ao atingirem o sul do continente sul-americano, a flotilha perdeu contato com a San Telmo, que nunca mais foi vista.

O mais provável é que, empurrada pelos fortes ventos da região, a nau espanhola tenha descido indefinidamente as congelantes águas que, mais tarde, passariam a ser chamadas de Mar de Weddell, entre o Cabo Horn e a Península Antártica, até, talvez, até a tocado – o que transformaria os espanhóis nos descobridores do continente gelado.

Não há provas cabais disso, nem os livros de história costumam associar aquela expedição espanhola com a descoberta da Antártica de maneira conclusiva.

Mas é certo que a San Telmo, que navegava em estado bem precário, depois de tantas tempestades e da longa duração da viagem, naufragou, matando todos os seus ocupantes. Só não se sabe exatamente onde.

E é aí que reside um mistério que dura até hoje.

Uma das teorias mais exploradas é que o naufrágio da nau espanhola teria acontecido nas proximidades da Ilha Livingston, uma das muitas que existem na ponta da Península Antártica, já que ali foi encontrado, poucos meses depois, o único vestígio que se supõe ter pertencido a San Telmo: o suporte de uma âncora de uma nau de grande porte.

O achado foi feito por um dos oficiais da expedição do explorador inglês William Smith no final daquele mesmo ano de 1819, quando o grupo se tornou descobridor da Ilha Rei George, quase vizinha a Livingston.

Mas, talvez, os homens de Smith não tenham sido os primeiros a pisar no gelo antártico e sim os tripulantes espanhóis da San Telmo – que, no entanto, não sobreviveram para contar o feito.

Na década de 1990, uma expedição de técnicos do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha esteva na região, buscando pistas sobre a localização dos restos da nau afundada quase dois séculos antes, o que poderia comprovar de vez a histórica descoberta espanhola. Mas, como era de se esperar, não encontrou nada.

Com isso, o mistério sobre a San Telmo permanece. Teriam os seus náufragos sido os verdadeiros descobridores do último continente do planeta?

Possivelmente, jamais se terá essa resposta

Gostou dessa história?

Ela faz parte do livro HISTÓRIAS DO MAR – 200 CASOS VERÍDICOS DE FAÇANHAS, DRAMAS, AVENTURAS E ODISSEIAS NOS OCEANOS, que por ser comprado clicando aqui, por R$ 55,00, com envio grátis

Só com a cara e a coragem

Acima de tudo, o velejador argentino Vito Dumas foi um sujeito ousado. Entre 1942 e 1943, ele fez, sozinho, a primeira circum-navegação do planeta pelo paralelo 40 graus Sul, uma faixa oceânica abaixo de todos os continentes (exceto a Antártica) e dominada por...

ler mais

A grande volta ao mundo com o menor dos barcos

Quando decidiu construir um barquinho (um “barquinho” de fato, de apenas 11 pés e 10 polegadas ou míseros 3,6 metros de comprimento), o francês radicado na Austrália e que já havia vivido no Brasil na infância, Serge Testa não tinha se¬quer um projeto no papel. Só a...

ler mais

A plataforma marítima que virou país

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Inglaterra construiu algumas pequenas bases ao longo da sua costa para se proteger contra eventuais invasões alemãs pelo mar. Quase sempre estas bases não passavam de construções que lembravam plataformas de petróleo e não raro...

ler mais

0 comentários

Compartilhe!