Na Segunda Guerra Mundial, nem todos os navios militares tinham como único objetivo combater o inimigo.

Em pelo menos um deles, o foco era outro: a diversão dos próprios marinheiros.

O HMS Menestheus foi ex-caça minas da Marinha Inglesa, que atuou durante algum tempo nas águas da Islândia, implantando explosivos contra os submarinos alemães.

Mas ao ser desativado, por conta da extinção do seu batalhão, acabou sendo recomissionado para algo bem menos bombástico: produzir e distribuir cerveja aos soldados Aliados.

Tudo começou quando a Marinha Real Inglesa detectou uma sensível queda no entusiasmo e na moral de seus comandados.

Abalados com as frequentes perdas de companheiros nos combates, os marinheiros, especialmente aqueles que atuavam nos sangrentos combates contra os japoneses no Pacífico, começaram a entrar em um quase estado de depressão coletiva.

Foi quando o chefe máximo do Almirantado inglês, Winston Churchill, teve a ideia de reviver uma antiga prática nas naus inglesas do passado: a distribuição de bebida alcoólica para elevar a moral das tropas – algo vital na situação em que os ingleses se encontravam.

Mas, em vez de apenas determinar que todos os navios de combate fossem carregados, também, com algumas garrafas, Churchill foi além e decidiu transformar um deles em uma autêntica cervejaria flutuante, que produziria e distribuiria cerveja entre as flotilhas.

E o escolhido foi o HMS Menestheus, que havia ficado sem nenhuma função na guerra.

Por ordem do próprio Churchill, um admirador confesso de um bom copo, o HMS Menestheus foi levado para um estaleiro da costa oeste do Canadá, e ali passou por uma grande – e inusitada – reforma.

Sua artilharia foi praticamente removida e, nos espaços que restaram livres, foram instalados equipamentos inusitados em navios militares, como salões, balcões, mesas e cadeiras, como nos mais legítimos pubs ingleses.

Mas o mais extraordinário foi a implantação, nos porões do HMS Menestheus, de uma grande caldeira feita de cobre, com seis fermentadores e depósitos apropriados para estocar lúpulo e extrato de malte.

Ou seja, uma legítima cervejaria, capaz de produzir, em pleno mar – e com água salgada destilada -, barris e mais barris de bebida.

Muito possivelmente, o HMS Menestheus foi o único navio militar da História que, além de um comandante, teve, também, um mestre cervejeiro.

Toda a produção era servida aos marinheiros ingleses e Aliados nos intervalos dos combates, em salões que haviam sido criados dentro do navio – um deles, uma espécie de teatro, com capacidade de 350 lugares, no quais eram apresentadas pequenas sessões de comédias, e outro, tão grande quanto, para danças entre os soldados.

O sucesso da cervejaria flutuante entre as tropas foi imediato – e os benefícios na autoestima dos marinheiros, notável.

Pena que a bem sucedida estratégia de Churchill tenha chegado um tanto tarde.

Por conta dos atrasos na reforma do navio – nunca, afinal, um estaleiro militar havia feito tal empreitada -, o HMS Menestheus só chegou à região do Pacífico onde a frota britânica atuava em setembro de 1945, um mês após a rendição japonesa.

Mas foi igualmente útil, de duas formas: para animar as forças Aliadas que permaneceram na região, e, mais tarde, para que os marinheiros comemorassem, com muita cerveja, o fim da própria guerra.

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