Na madrugada de 25 de fevereiro de 2023, dois pescadores da região de Chubut, no litoral sul da Argentina, se preparavam para destrinchar três pequenos tubarões que haviam acabado de capturar no mar, quando, do estômago de um deles, brotou um pedaço de antebraço humano.

O membro ainda estava em tão bom estado – sinal de que havia sido recém engolido pelo animal -, que foi possível ver que continha uma tatuagem: uma rosa, com o nome de uma mulher abaixo dela.

A tatuagem permitiu à Polícia identificar facilmente a vítima.

Tratava-se do mecânico argentino Diego Alejandro Barría, de 32 anos, morador de Comodoro Rivadia, na mesma região do achado, que havia saído de casa uma semana antes para dar um passeio de quadriciclo na longa praia deserta da cidade, e nunca mais voltou – como sua mulher, dona do nome tatuado naquele membro, registrara na queixa que fizera à Polícia, seis dias antes.

No dia seguinte ao desaparecimento, o quadriciclo de Diego foi encontrado semidestruído na praia, bem como o seu capacete, rachado em diversas partes – mas sem nenhum sinal do argentino.

A dedução dos policiais foi que ele havia sofrido um acidente nas irregularidades na praia, repleta de valas, depressões e pedras, capotado e sido ejetado do veículo, como comprovava o seu capacete rachado.

Com o impacto, Diego teria perdido os sentidos, ou mesmo morrido.

Mas, e o corpo?

Onde teria ido parar a vítima?

Para isso, a única explicação que os policiais encontraram foi que Diego, inconsciente ou já morto, poderia teria caído perto da água e sido arrastado pelo mar, que estava particularmente violento naquela noite, repleto de ondas e correntezas.

Ao que tudo indicava, eles estavam certos.

O que ninguém poderia imaginar é que a autor de um passeio terrestre pudesse acabar dentro da barriga de um tubarão no mar.

Aparentemente, foi o que aconteceu com Diego, embora, por um bom tempo, a família da vítima tenha defendido a tese de homicídio (visando o eventual roubo do quadriciclo), seguido de descarte do corpo de Diego no mar, quando, então sim, teria entrado em cena o tal tubarão glutão – que, se por um lado, confirmou que o argentino estava morto, por outro tornou o seu fim ainda mais macabro.

Mas também parecia claro que Diego não morrera por causa do tubarão.

Ele já estaria morto – pelo acidente ou por afogamento, no caso de ter caído desacordado no mar -, quando foi parcialmente devorado, já que seu braço ainda estava bem preservado no estômago do animal, sinal de que fora engolido pouco antes da captura, que, no entanto, ocorreu uma semana depois do acidente.

Por outro lado, soava como improvável que a resposta para o misterioso sumiço de um motociclista fosse estar dentro da barriga de um tubarão, e que aquele exato animal viesse a ser capturado por pescadores, logo depois.

Mas, contrariando todas as probabilidades, foi o que aconteceu.

E o mais impressionante é aquela não foi a primeira vez que ocorreu um caso assim.

Quase nove décadas antes, em abril de 1935, um grande tubarão tigre, recém-capturado para exibição em um parque aquático em Sydney, na Austrália, vomitou um pedaço de braço humano, para horror dos visitantes e desconfiança da Polícia, que decidiu investigar a quem aquele membro decepado poderia ter pertencido.

Também não foi difícil descobrir, porque, tal qual no caso do infeliz argentino, naquele pedaço de braço havia igualmente uma tatuagem: no caso, duas luvas de boxe estilizadas.

A investigação logo descobriu que o membro pertencera a um lutador que havia desaparecido da cidade, dias antes, e que ele fora assassinado, e seu corpo jogado ao mar.

Oitenta em oito anos depois, o que parecia praticamente impossível aconteceu de novo.

E da barriga de outro tubarão brotou um pedaço de braço, que ajudou a desvendar outro mistério.

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