Em 1994, o mergulhador italiano Roberto Mazzara encontrou, no fundo das águas de Figueira da Foz, na costa de Portugal, os restos da nau espanhola San Salvador, que afundara em 1555, quando voltava Caribe, e dele retirou secretamente alguns objetos.

Quatro anos depois, na Espanha, uma empresa anunciou que leiloaria o lendário sino da nau Santa Maria, capitaneada por Cristóvão Colombo na viagem de descoberta da América, em 1492, embora a peça, de pouco mais de 25 centímetros de altura e com uma parte corroída por obra do tempo, não tivesse o aval de todos os historiadores – que sequer podiam atestar que a caravela do descobridor tivesse, de fato, um sino.

Mas, para o governo português, a revelação de que o dono da peça era o mesmo mergulhador que havia descoberto a San Salvador, levou a deduzir que o famoso sino poderia estar sendo transportado pela nau que afundou em suas águas e fora saqueada pelo italiano – teoria reforçada por supostos registros históricos que comprovariam que um dos netos de Colombo estaria aguardando o retorno do sino à Espanha, a bordo da San Salvador, 50 anos após a morte do avô.

Com base nisso, Portugal, cuja legislação, tal qual a do Brasil, prega que tudo o que for encontrado em suas águas pertence ao Estado, conseguiu impedir o leilão horas antes dele começar, em uma operação policial que fez lembrar os filmes de ação.

Um ano depois, o caso foi a julgamento na Corte espanhola, que decidiu manter o direito do leiloeiro espanhol de colocar a peça à venda.

Contudo, antes que isso acontecesse, a empresa leiloeira supostamente faliu e o sino, aparentemente, sumiu – como alegaria o mergulhador italiano, dali em diante.

Mas, ao que tudo indica, não foi bem assim.

Em 2006, uma empresa americana ligada a um dos sócios da falida leiloeira da Espanha teria contrabandeado a histórica peça para os Estados Unidos, onde, por motivos óbvios, ela alcançaria lances maiores do que na Europa.

Mas, no ano seguinte, esta outra empresa também teria fechado as portas, e as pistas do sino teriam sido, uma vez mais, perdidas.

Só que, de novo, talvez isso também não tenha acontecido…

Em 2018, o obscuro dono de uma pequena rádio de Key Biscayne, na Florida, chamado Manuel Cambó, passou a anunciar a venda, por US$ 5 milhões, do mitológico sino, que teria sido entregue a ele por uma pessoa que “não podia identificar” – para muitos, o próprio mergulhador italiano que encontrara o sino, 24 anos antes, tentando, finalmente, vender a peça.

Mas a parceria com o radialista não seguiu adiante, porque ninguém quis pagar o valor pedido, e, de novo, o rastro do polêmico sino foi perdido – embora tudo indique que ele continue nos Estados Unidos, nas mãos de algum colecionador particular.

A saga do suposto sino da nau de Colombo ainda vagueia pelos sete mares.

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