Sete anos atrás, os paulistas Priscila Lima Silva e Cláudio Diniz se conheceram e começaram a namorar.

Ele era dono de uma pequena confecção e ela trabalhava num escritório, ambos em São Paulo.

Mas a vida corrida e complicada da metrópole não agradava nenhum dos dois.

Foi quando Claudio, que havia sido criado em estreita sintonia com o mar, propôs a namorada que juntassem as economias, comprassem um veleiro e fossem morar nele, tal qual costumava ver na internet o que outros casais haviam feito.

Para surpresa dele, Priscila, que nada sabia sobre barcos e até enjoava com facilidade, topou na hora.

“Sempre gostei de viajar e a ideia de morar numa ´casa´ capaz de se movimentar me agradou, embora eu nunca tivesse pensado em viver num barco”, lembra Priscila, que, até então, levava uma típica vida de jovem assalariada de classe média, em São Paulo.

E assim eles fizeram. Três anos atrás.

Ainda como namorados, Priscila, hoje com 37 anos, e Claudio, com 42, foram viver a bordo do veleiro Beijupirá III, um espaçoso barco com casco de madeira, construído 15 anos atrás, que eles compraram com o dinheiro que haviam juntado.

E, no início de junho do ano passado, partiram, junto com outros veleiros, rumo ao Nordeste brasileiro.

Foi quando eles deixaram de ser namorados, para, durante a própria viagem, se tornarem noivos e, agora, casados – sem praticamente sair do barco.

O pedido de casamento aconteceu durante a escala do grupo no arquipélago dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia, e pegou até a própria Priscila de surpresa.

“A gente havia convidado alguns amigos de outros barcos para beliscar no nosso, quando o Claudio, que não tinha me dito nada, fez o pedido, na frente de todo mundo. Foi uma grande surpresa, porque, como já morávamos juntos no barco, achei que jamais haveria casamento. Mas, depois, também houve. Em Fernando de Noronha”.

“Eu ia esperar chegarmos em Noronha para pedir a Priscila em casamento. Mas, na parada em Abrolhos, o astral da viagem estava tão legal, que resolvi antecipar”, explicou Claudio, emocionado. “Daí, em vez de noivar, resolvi casar na ilha e foi melhor ainda. Mas só conseguimos isso graças ao barco, que levou a gente até a ilha sem nenhum custo, já que veleiros são movidos pelo vento e vento é de graça”.

A cerimônia do casamento, bem simples e meramente simbólica, sequer teve padre. Uma amiga do casal disse apenas algumas palavras bonitas diante da capelinha da ilha (que, inclusive, estava fechada), e de um grupo de amigos que o casal fez desde que foram viver no mar.

Desde que decidiram mudar de vida e trocar o apartamento alugado em São Paulo por um veleiro usado em Paraty, Claudio e Priscila vivem do dinheiro que conseguem ganhar hospedando pessoas e as levando para velejar, negócio que, no meio náutico, é conhecido como “charter”.

A própria viagem para Noronha foi custeada pelos dez hóspedes que eles tiveram a bordo, durante a última Refeno, a famosa regata anual que acontece de Recife até a ilha.

“Somos uma espécie de pousada flutuante, com a vantagem de que ela se movimenta e a paisagem vai mudando para os hóspedes. Sem falar que a piscina é gigantesca”, brinca Priscila, que acrescenta: “A gente faz tantos novos amigos com os charters, que, às vezes, nem parece trabalho”.

Quando não estão navegando, Priscila e Claudio ficam em Paraty, de onde partem os charters que eles vendem, a um preço médio de R$ 3 000 o fim de semana, para quatro pessoas.

“Agora, o nosso objetivo é juntar um dinheirinho para tentar subir com o barco até o Caribe”, diz Priscila.

“Viajar é bom demais e é melhor ainda quando a nossa casa vai junto”, completa.

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